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domingo, 20 de fevereiro de 2011

HOJE FESTEJA-SE O DIA DOS BURROS


Hoje festeja-se o dia dos burros, daqueles que não aprendem nada com os erros cometidos e acabam sempre a fazer o mesmo.

Ordenamento do território? O que é isso? É uma mania de ecologistas que não têm mais nada que fazer!

Construção no leito das ribeiras? Pois tem que ser, o território é escasso...

E depois, quando acontecer nova tragédia, a culpa não é deles... E os senhores do Ministério Público voltarão a achar que não há qualquer motivo para responsabilização criminal.

E para muitos, como um outro idiota que é ministro da Defesa, o centro do Funchal é a Madeira e se esse está reconstruído, "a reconstrução, no essencial, está feita". SANTÍSSIMA ESTUPIDEZ!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

PND interpõe acção no Tribunal Administrativo contra novo Savoy


Novo hotel vai descaracterizar a paisagem urbana do Funchal, justifica Gil Canha

Com a devida vénia ao Diário de Notícias da Madeira

O Partido da Nova Democracia (PND), pela voz de Gil Canha, vereador na Câmara Municipal do Funchal, revelou esta tarde ter interposto uma acção junto do Tribunal Administrativo contra construção do novo hotel Savoy.

Gil Canha considera que o projecto "tem uma volumetria que é um verdadeiro atentado à nossa paisagem e que irá descaracterizar toda aquela zona".

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

UM HOTEL PARA AMERICANOS!


Finalmente o Funchal vai ter um hotel como os americanos gostam!

Vai ser um êxito! Principalmente se todos os cerca de 4.650 (2009) ou 8.000 (2008) americanos que visitam anualmente a Madeira como turistas se instalarem lá!

As autoridades madeirenses estão mais uma vez de parabéns por fomentarem mais este investimento de largo futuro, só comparável decerto ao magnífico resort de Porto Santo que dá pelo nome de Colombo Resort!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

DESAFIO AO GOVERNO REGIONAL DA MADEIRA

Desafio o Governo Regional da Madeira, que diz agir com plena transparência, a publicar uma listagem das vítimas da intempérie da passada semana, à semelhança do que é feito noutros locais (como por exemplo recentemente em Angra dos Reis, no Brasil).

E já agora que indiquem qual era a localização das vítimas para podermos ajuizar quantas mortes ocorreram devido às pessoas estarem a viver em sítios onde deveria ser proibida a construção.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

DESTRUIÇÃO

Consegui falar finalmente há pouco com alguns amigos da Madeira e começa a confirmar-se aquilo que logo temi com as primeiras notícias: a destruição é por grande parte da encosta sul da ilha e não apenas nas zonas inicialmente indicadas.

Para além do Curral das Freiras onde finalmente começou a chegar ajuda, há problemas em muitos outros locais, como Campanário, Serra de Água, Camacha, Encumeada, etc, etc...

DESOLAÇÃO

Nunca pensei que o que escrevi aqui há pouco mais de uma semana voltasse a ser realidade tão depressa e com consequências muito mais gravosas...

Mau tempo Madeira - queda da estrada 31 de Janeiro

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Imagens do temporal no Faial e São Roque do Faial, concelho de Santana, Nordeste da Ilha da Madeira

Um e-mail de Raimundo Quintal já com alguns dias, mas permanece o interesse, dado que vai voltar a acontecer decerto no futuro:


Caros Amigos / Caríssimas Amigas,

Envio, em anexo, oito fotografias, que mostram alguns dos estragos provocados pelas fortes chuvadas ocorridas na última noite e nesta manhã em São Roque do Faial e no Faial, concelho de Santana, Nordeste da Ilha da Madeira.

Um pouco por todo o lado surgem cascatas nos taludes das estradas.

No troço da Via Expresso entre a Ribeira de São Roque do Faial e a Ribeira do Faial, uma derrocada atingiu a estrada.

A Escola Básica de São Roque do Faial e a estrutura desportiva, construídas no leito de cheia da ribeira e à cota do talvegue, ficaram alagadas com águas que deveriam escorrer para a ribeira. Infelizmente, este é um exemplo, de edifícios públicos implantados em locais de grande risco.

Saudações ecológicas,

Raimundo Quintal


--

"Somos apenas a raiva que sentimos quando nos expulsaram das nossas terras, quando o tractor derrubou as nossas casas. E assim seremos até à morte. Para a Califórnia ou para outra região qualquer – cada um de nós é um tambor a dirigir uma carga de amarguras, caminhando com a nossa desgraça.»

John Steinbeck, em " As vinhas da Ira"


domingo, 6 de setembro de 2009

Maioria 'absolve' Quinta do Lorde - Francisco Leite Monteiro

Cartas dos leitores, no Diário de Notícias da Madeira

No Diário de 4 de Setembro, é antecipada uma decisão da Assembleia Legislativa, sem reparos, arquivando-se o processo, o que obviamente não pode acreditar-se.

Está em causa, um atentado para que, em diversas ocasiões, chamei a atenção e a que não posso deixar de retornar, na esperança e, por acreditar, que ainda está a tempo de ser evitado maior desastre.

A descaracterização em resultado do que já foi feito e o que representa para toda a zona que vai do Caniçal até à Ponta de São Lourenço, não pode aceitar-se, mas importa agora e acima de tudo, que seja impedida a progressão do que seria um verdadeiro desastre, para além dos cerca de 16 hectares, já autorizados para o "Quinta do Lorde Resort".

Como é óbvio e escrevi, a irreversibilidade do que bem ou mal foi autorizado, é um facto, não sendo, obviamente de assacar responsabilidade aos promotores nem de isentar eventuais prevaricadores responsáveis por irregularidades durante o licenciamento. Isso, porém, não basta. O processo não pode ser pura e simplesmente arquivado e posta uma pedra sobre o assunto, importando que além do mais, a Assembleia Legislativa alerte e acautele para a necessidade de ser "reforçada a legislação e respectiva fiscalização, por forma a pôr cobro a novas situações, não mais consentindo qualquer uso ou alteração do solo, do que resta da Ponta de São Lourenço, até ao farol", impedindo assim o alastramento da desfiguração já operada em espaço natural e de protecção ambiental, "na certeza de que, todos juntos, queremos e vamos salvar a Ponta de São Lourenço".

Francisco Leite Monteiro

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Planos favorecem pressão humana no Rabaçal



Com a devida vénia ao Diário de Notícias da Madeira

Ambientalistas alertam para o risco de degradação do ecossistema


Tanto a Quercus como a Associação dos Amigos do Parque Ecológico consideram que os planos de ordenamento e gestão do Maciço Montanhoso Central e da Laurissilva vão contribuir para o aumento da pressão humana na zona do Rabaçal.

Ambas as associações participaram na discussão pública relativa aos dois planos, a qual termina hoje, com o envio de sugestões, reclamações, observações e pedidos de esclarecimento.

Idalina Perestrelo, da Quercus, sublinha que, além de serem muito idênticos, fica a ideia de que estes planos foram feitos para que se possa avançar com o projecto turístico previsto para a zona do Rabaçal, que será concretizado através da construção de um teleférico que fará a ligação desde o Paul da Serra. "Estes planos são um pouco feitos para uma maior pressão humana dentro dos espaços que são protegidos e esse aumento pode fazer com que depois haja uma ameaça sobre a biodiversidade existente".

Também Raimundo Quintal, em nome da Associação dos Amigos do Parque Ecológico, afirma que o teleférico "não 'constituirá um meio de promoção e valorização destes espaços natural'" como referem os dois documentos. "Pelo contrário, terá um impacto negativo na paisagem, contribuirá para uma degradação do ecossistema e aumentará a delapidação das espécies mais sensíveis".

Referem também os planos que a "existência de um teleférico regula o fluxo de entradas para o próprio teleférico e não para os percursos pedestres existentes". Relativamente a esta questão, Raimundo Quintal sublinha que o estudo de impacte ambiental informa que o teleférico terá capacidade para transportar 180 pessoas por hora desde o Paul da Serra ao Rabaçal. Assim, em apenas três horas, se for cumprida a capacidade máxima prevista, poderão chegar ao Centro de Recepção do Rabaçal 540 visitantes. "Este número ultrapassa a capacidade de carga efectiva do percurso Rabaçal - 25 Fontes, que é de 528 visitantes por dia, segundo cálculo constante na página 128 do 'Plano de Ordenamento e Gestão da Laurissilva da Madeira'", alerta o geógrafo.

O director regional do Ambiente sublinha que é difícil afirmar que haverá uma maior pressão humana, quando, actualmente, não existe qualquer contabilidade em relação ao número de pessoas que visitam o Rabaçal. Nesse sentido, João Correia sublinha que haverá uma entidade gestora responsável pelo controlo das entradas no Parque Florestal do Rabaçal, quer pelo teleférico, quer através das veredas, a qual poderá definir um "determinado limite".

Além da questão do Rabaçal, Raimundo Quintal refere, por exemplo, a retirada do gado bovino como condição necessária para recuperação da biodiversidade na área do Fanal, não sendo a questão do gado bovino mencionada no Plano do Maciço Central Montanhoso.

Por outro lado, Idalina Perestrelo considera que em termos de planos a prioridade devia ser dada ao Plano especial de Ordenamento do Parque Natural da Madeira e ao Plano Sectorial dos Sítios da Rede Natura, os quais deveriam servir de documento orientadores em relação aos restantes.

A falta de estudos e de soluções para os problemas existentes, assim como a inexactidão dos limites da Laurissilva e do Maciço Montanhoso Central são outras falhas apontadas.

Prazos a cumprir

A consulta pública dos planos de ordenamento e gestão da Laurissilva e do Maciço Montanhoso Central termina hoje. Até ao dia 22 de Maio, a comissão de acompanhamento terá que apresentar o relatório final contemplando possíveis sugestões. Até 30 de Maio, a Direcção Regional de Florestas deverá fazer chegar ao secretário do Ambiente o plano final e o respectivo relatório, assim como uma proposta de decreto legislativo regional. Documentos que deverão ser disponibilizados na Internet. Cumpridos todos estes prazos, segue-se a resolução do Conselho de Governo, que vai designar estes Sítios de Interesse Comunitários como Zonas Especiais de Conservação.

Gestão para as Desertas, Selvagens e Ponta de São Lourenço

Os planos de ordenamento e gestão da Laurissilva e do Maciço Montanhoso Central resultam de uma exigência da União Europeia no âmbito da Directiva Habitats para que os Sítios de Importância Comunitária (SIC) possam adquirir o estatuto de Zonas Especiais de Conservação (ZEC).

Na Madeira são 11 os Sítios de Importância Comunitária, cujos planos deveriam estar concluídos em Dezembro de 2007.

Além dos dois planos para a Laurissilva e para o Maciço Montanhoso Central estão a ser preparados os planos de gestão relativos à Ponta de São Lourenço, às Desertas e às Selvagens, cuja discussão pública iniciará em breve, e, estando reservado mais para a frente o dos Ilhéus do Porto Santo.

Segundo o director regional do Ambiente, os restantes cinco sítios não serão alvo de planos de ordenamento e gestão, mas de medidas especiais de conservação. São eles os Moledos, as Achadas da Cruz, o Ilhéu da Viúva, o Pináculo e o Pico Branco.

João Correia salienta, contudo, já se praticam essas medidas de protecção, só que não estão expressas num documento que sirva de base a uma publicação do Governo que diga que aquelas medidas passam os Sítios de Interesse Comunitário a Zonas Especiais de Protecção e é isto que tem que ser feito".

Relativamente a estas zonas, o director regional do Ambiente sublinha que os processos estão já em marcha, pelo que, brevemente, o Governo poderá publicar essa alteração.

Sílvia Ornelas

quinta-feira, 19 de março de 2009

RIBEIRA DO FAIAL

Um joguinho: tentem construir uma frase usando estas palavras. Mas guardem-na na vossa cabeça. Pode ser que se lembrem disso a próxima vez que forem votar...

ATENTADOS AMBIENTAIS

CACA

CONIVÊNCIA

CORRUPÇÃO

CUMPLICIDADE

INERTES

INIMPUTÁVEIS

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

A NAU SEM RUMO - artigo de opinião de LUIS VILHENA no DNM



Sobre (voando) o território

Admira-me que o novo projecto (do Savoy) não tenha subido para uns 20 ou 30 pisos.

Perguntaram-me há pouco tempo a minha opinião sobre o projecto do novo hotel Savoy no Funchal. Sabendo de antemão que sempre me posicionei publicamente contra o Plano que viabiliza o dito projecto, a pergunta, que pressupunha uma resposta muito simples e clara, levou-me porém a reflectir mais uns segundos. O projecto, que nasce com o suporte de um plano de pormenor inicialmente denominado de "Plano do Savoy" e compreendia pouco mais que a propriedade deste hotel e do hotel Santa Isabel, lá encontrou algum pudor e fez alargar a área de influência para uma fronteira que chega até à rotunda do Infante entre a Av. Sá Carneiro e a Av. do Infante. O que à partida seria um bom princípio revelou-se um truque de dubitável legalidade para subir o índice da zona muito acima do que está definido no PDM.

Como se tal não fosse suficiente, foi atribuído um índice muito maior que a média ao terreno do hotel, apesar de compensado através do sistema de perequação. Enfim, um esquema montado com um fim muito claro, mas que deturpa, na essência, a legalidade de se poder alterar o PDM através de um plano de urbanização, que contraria de forma muito explícita os princípios reguladores e orientadores do Plano Director para aquela zona e que fragiliza uma posição desejavelmente isenta e de equidade, por parte da Câmara eleita para defender o interesse público.

Depois deste raciocínio permiti-me responder à tal pergunta: na actual situação, é completamente indiferente que o hotel Savoy fique como está, ou suba para 16 pisos. Aliás até acho que, perante a apatia e permissividade da Câmara perante a pressão dos promotores privados, admira-me que o novo projecto não tenha subido para uns 20 ou 30 pisos porque, na prática, as razões que sustentam esta operação (que não são explicadas no relatório do plano) poderiam perfeitamente servir de suporte a um projecto ainda mais obeso.

Ou seja, numa altura da vida da cidade em que as orientações de um PDM, apesar de caduco, são ignoradas pela própria Câmara, que a ética e sentido de interesse público foi esquecida por aqueles de quem mais se esperava, que se fazem Plano Urbanísticos para tentar apagar violações ao PDM, que se prolonga ad eternum a revisão do Plano, numa época em que há um vazio de ideias relativamente ao que se quer para a cidade, então tudo é possível e indiferente. E não vai mudar. Pode continuar o mesmo presidente, ou vir outro qualquer do mesmo partido, que o estado das coisas não mudará. Há um lastro muito grande que não pode ser deitado borda fora por aqueles que o lá meteram. Um lastro tão grande que põe em perigo as condições de navegabilidade da embarcação, mas que só pode ser aliviado por uma tripulação distinta da actual. Mas torna-se cada vez mais urgente porque, num barco que mete tanta água, a única esperança de se pôr a salvo é deitar a carga fora. Até lá, se não formos ao fundo, continuaremos pela rota habitual nesta nau sem rumo.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

OS INCOMPETENTES VOLTAM A ATACAR - N. SOUSA

Carta publicada hoje no Diário de Notícias da Madeira

Imoral. Indecente. São adjectivos que parecem leves para descrever o atentado que está a ser cometido no cais norte do porto do Funchal.

O projecto da obra do auto-silo que está a ser construído nunca foi publicamente apresentado. Muito menos discutido. Mas o monstro cresce. Ganha uma volumetria assustadora, totalmente inestética e absolutamente aberrante. A extensão horizontal da obra era já de si muito polémica e discutível, na medida em que poderia impor limitações à operacionalidade dos navios que atracam naquele cais.

Restava saber se, em altura, o monstro cresceria acima dos 2 pisos já construídos.

Dito e feito. O 3º piso avança mesmo a grande ritmo e uma parede de betão tapará para sempre a vista para o mar e para os navios a partir da Avenida Sá Carneiro. Aquela vista que todos nós, desde pequeninos, nos habituámos a desfrutar desde a zona das Vespas e arredores vai mesmo desaparecer.

Lentamente uma das zonas mais nobres e com maior potencial da cidade do Funchal - a nossa porta de entrada - vai sufocando e agonizando. Enfim, não há muitas palavras... Estou triste, profundamente triste, por constatar que, por um lado, os nossos governantes vivem num mundo à parte, completamente alheados do bom senso e das mais básicas regras urbanísticas e paisagísticas, e, por outro, que todos nós, amantes do Funchal, do seu magnífico porto, da actividade náutica e turística, das vistas largas, dos horizontes amplos, fomos incapazes de impedir mais este inacreditável atentado.

Exactamente as vistas e os horizontes largos que os que comandam os nossos destinos não conseguem nem nunca conseguirão ter. Deviam ter vergonha por estar a hipotecar tanto potencial comum.

Mas vindo da Sociedade Metropolitana de Desenvolvimento (qual desenvolvimento?) era de esperar tudo. Senão veja-se os exemplos do infelizmente famoso poço dos Reis Magos ou do ridículo projecto da promenade da praia Formosa. Inclusive no caso deste último, a incompetência na execução da obra veda-nos a todos, há 4 anos seguidos, o acesso às três magníficas praias a poente. Só mesmo na Madeira - terra da pacatez e do deixa andar.

Esta terra é de facto miserabilista e com horizontes de futuro muito curtos e limitados. Não há orgulho que resista...


N. Sousa

sábado, 7 de fevereiro de 2009

SENHORES AUTARCAS, NÃO SE ESQUEÇAM DE CONTRATAR MAIS VEZES ESTA "EMPRESA"



Mais uma maravilha da Madeira Nova!

Com a devida vénia ao Diário de Notícias da Madeira e a Orlando Drumond

Cantarias são "irreparáveis"
"São danos irreversíveis, Não há volta a dar, não há milagres", diz João Baptista


A colocação de buchas metálicas nas pedras de cantaria do Solar dos Herédias, o edifício secular classificado de Monumento de Interesse Municipal, onde estão sedeados os Paços do Concelho da Ribeira Brava, não tem forma de ser reparada. "São danos irreparáveis e irreversíveis. Não há volta a dar, porque não há milagres". Quem o diz é o especialista em cantarias, o geólogo e investigador na Universidade de Aveiro, João Baptista.

Os buracos nas paredes de reboco do emblemático Solar dos Herédias para 'segurar' as gambiarras já foram entretanto tapados e as paredes 'pintadas de fresco'. O atentado registado por ocasião da colocação das iluminações decorativas do Natal está parcialmente recuperado. Sobraram, contudo, os furos realizados nas cantarias que envolvem as portas e janelas da parte frontal do edifício que outrora foi residência do visconde, o fundador do concelho. Nas pedras de cantaria ficaram os indisfarçáveis furos e as respectivas buchas metálicas.

São os efeitos daquela que bem se pode classificar como uma atitude condizente com a 'idade da pedra' e que, pelos vistos, ficaram também para a História. O docente universitário explica as consequências: "As buchas metálicas, que normalmente são de má qualidade, depois com o tempo oxidam e ao oxidar aumentam o volume e acabam por provocar outro tipo de patologia na pedra, nomeadamente a lascagem do bloco, entre outras".

"A oxidação acaba por partir a pedra, provocando também muitas vezes aquelas manchas castanho-amareladas ou castanho-avermelhadas, devido à oxidação do ferro, aquilo que vulgarmente chamamos de ferrugem", complementa o especialista.

João Baptista lamenta que o verificado na Ribeira Brava seja mais um caso a juntar a muitos outros. "Isto é um fenómeno que se vê em todos os concelhos e em vários edifícios classificados. Infelizmente, o que não falta são monumentos com o desrespeito total pela pedra e pelas pessoas que no passado trabalharam na edificação destes monumentos. Há uma listagem infindável", assegura o geólogo.

Actualmente na Universidade de Aveiro, o estudioso considera que "a atitude e o respeito perante o património edificado têm de ser outros. Devia haver outro tipo de fiscalização e de consciência das pessoas", apela. Enquanto tal não acontece, lamenta que "sempre que há iluminações nas quadras festivas, que não só no Natal, a situação repete-se. É uma atrocidade".

Orlando Drumond

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

BE diz que é uma “loucura” insistir no teleférico do Rabaçal

Com a devida vénia ao Diário Cidade

O BE voltou ontem a protestar contra a construção do teleférico do Rabaçal. “Lamentamos que o Governo Regional após ter um parecer negativo do Parque Natural da Madeira continue a insistir nesta loucura que vai de, alguma forma, prejudicar em muito o ambiente desta zona”, disse Roberto Almada.

A sua construção, acrescentou o deputado do BE, “apenas servirá para que alguns privados lucrem com o surgimento de restaurantes e outras infraestruturas”. Daí que tenha também lamentado o facto de a Câmara Municipal da Calheta ter mudado de opinião após ter dado, numa primeira fase, um parecer negativo.

Porque é importante “preservar a laurissilva e todos os ecossistemas ali existentes”, ou seja, o “pulmão da Madeira”, entende que o GR ao invés de ‘levar para a frente’ aquela infraestrutura deveria reunir esforços para “recuperar as levadas e alguns percursos pedestres utilizados tanto pelos madeirenses, como pelos turistas que visitam diariamente a Região.

S.G

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

RABAÇAL - Quase 6 milhões de euros para destruir um bem valioso

Artigo de opinião de Hélder Spínola, com a devida vénia ao Diário de Notícias da Madeira:



Rabaçal: de levada ou teleférico?
Não se entende o investimento de quase 6 milhÕes de euros para destruir um bem valioso
Data: 18-12-2008

Ao mesmo tempo que procura promover a Madeira como destino turístico com base nas suas características culturais e naturais mais genuínas, como o bordado, o vinho, a paisagem e os valores naturais, o Governo Regional acaba de viabilizar pelas mãos do próprio Secretário Regional do Ambiente a construção de um teleférico num dos locais mais naturais e autênticos da nossa exígua ilha. Por incrível que pareça, o Sr. Secretário do Ambiente acaba de assinar uma Declaração de Impacte Ambiental Favorável para a construção de um teleférico no Rabaçal ao longo de 1380 metros de uma das mais soberbas paisagens de Laurissilva classificada pela UNESCO como Património Mundial Natural. A Laurissilva da Madeira é Património Mundial Natural, o único com esta classificação em Portugal, pelo seu valor universal excepcional para a ciência, conservação e beleza natural. A Laurissilva da Madeira é a maior e mais bem conservada mancha deste tipo de floresta no mundo, existindo também nos Açores e nas Canárias, mas em pior estado de conservação. Esta é uma floresta relíquia que remonta ao Terciário (período que se iniciou há 65 milhões de anos atrás e terminou há 1,8 milhões de anos) e que ocupou no passado vastas extensões do Sul do continente Europeu e bacia do Mediterrâneo, tendo ficado reduzida às ilhas da Macaronésia devido às glaciações. Com o povoamento destas ilhas ao longo dos últimos cinco séculos a maior parte desta floresta foi destruída para a criação de pastos, campos agrícolas e aglomerados urbanos. Na Madeira, devido ao seu relevo acentuado, tivemos a felicidade de manter até à actualidade uma parte dessa floresta no seu estado original.

É justamente no vale da Ribeira da Janela, em particular na zona do Rabaçal, onde podemos encontrar a Laurissilva no seu melhor, desfrutar de paisagens naturais soberbas e contactar com a natureza na sua forma mais genuína, percorrendo as nossas tradicionais levadas longe do stress e artificialismo dos espaços urbanos. Este é um local classificado no âmbito do Plano de Ordenamento do Território da Região Autónoma da Madeira (POTRAM) como Espaço Natural de Uso Interdito onde apenas se permitem actividades de conservação da natureza e, a título excepcional, a selecção de locais de observação no âmbito de usos de lazer e recreio. O Rabaçal e a sua Laurissilva estão integrados na Rede Natura 2000, são Reserva Biogenética do Conselho da Europa e, no âmbito do Parque Natural da Madeira, estão classificados como zona de repouso e silêncio, para além de serem Reserva Natural Parcial.

Como é possível aceitar que numa paisagem destas, com um património natural autêntico reconhecido internacionalmente ao mais alto nível, se atravessem cabos, se instalem torres e estações para fazer circular um frenesim de cabinas por cima das copas das árvores, atravessando vales e estragando a pureza que atrai tantos visitantes nacionais e estrangeiros nos percursos que as levadas possibilitam? Como é possível que o Sr. Secretário do Ambiente não tenha prestado a mínima atenção ao parecer negativo do Parque Natural da Madeira que rejeita liminarmente a hipótese de um teleférico no Rabaçal e não tenha percebido o parecer da Direcção Regional das Florestas que desmonta ponto por ponto toda a justificação desta obra? Mesmo que não estivéssemos em tempos de crise, não se entende este investimento de quase 6 milhões de euros para destruir um dos bens mais valiosos que a Madeira possui e trocar os percursos pelas levadas por passeios em teleféricos.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

QUERCUS CONTRA TELEFÉRICO DO RABAÇAL

Premissa errada ou mentira descarada?

Em declarações ao DN de 12 de Novembro, um responsável na região pela Etermar, empresa à qual a obra do teleférico do Rabaçal foi prematuramente adjudicada, refere que “a falta de informação tem sido o suporte principal da campanha anti-teleférico” e acusa os que se opõem a este projecto: “partem do princípio errado de que o teleférico aumentará o número de visitantes ao Rabaçal, o que não é verdade”. Acrescenta ainda que “no Rabaçal, tudo está dimensionado para transportar 180 a 200 pessoas/hora, o que permitirá levar à Laurissilva menos visitantes do que lá vão actualmente.”

É caso para se dizer que o responsável da Etermar não leu o Estudo de Impacte Ambiental (EIA)! Até o EIA, apesar das suas falhas e contradições, apesar de ignorar e subavaliar impactes negativos e efabular pretensos impactes positivos numa descarada tentativa de marketing do projecto, até o EIA, dizíamos, assume que o número de visitantes será maior com o teleférico. A título de exemplo e sem pretender ser exaustiva:

“Em fase de exploração, o aumento do número de pessoas na zona levará…” pág. 13 do Resumo Não Técnico do EIA.

“A implantação desta nova estrutura potenciará uma maior afluência de pessoas, designadamente de turistas, …” pág. 23 do Resumo Não Técnico do EIA.

“Este teleférico visa garantir que essa mesma visita seja intensificada…” pág. 129 do EIA


O Resumo Não Técnico pode ser consultado em:

http://dramb.gov-madeira.pt/berilio/berwpag0.desenvctt?pCtt=2000

O EIA pode ser consultado na Direcção Regional de Ambiente. (O facto do prazo de consulta já ter terminado apenas significa que as opiniões dos cidadãos já não serão acolhidas, mas a consulta continua a poder ser feita.)


A premissa do aumento do número de visitantes não é errada e pode ser facilmente demonstrada. Considerem-se os seguintes dados iniciais fornecidos pelo EIA:

• Capacidade máxima de transporte (em cada direcção, sentados) – 180 passageiros/hora

(Esta capacidade poderá ainda ser expandida até 260 passageiros/hora)

• Número médio diário de visitantes, actualmente – 320


Num cálculo por defeito, conceda-se que o teleférico funcione apenas com metade da sua capacidade máxima – 90 passageiros/hora. Em apenas 3 horas e meia de funcionamento, transportaria um nº de visitantes equivalente ao nº médio diário de visitantes verificado actualmente! Mesmo a meio gás, o teleférico transportaria, por dia, o dobro do nº médio actual de visitantes e ultrapassaria folgadamente os valores de pico que ocorrem actualmente (estimados entre 400 a 500 visitantes) às 3ª e 5ª - feiras, devido às excursões turísticas!

Para organizar e escalar os operadores turísticos não é necessário construir um teleférico. Basta um pouco de análise e compreensão dos factos, aliado a simples bom senso!

Quanto a “condicionar os acessos”, convenhamos que “pôr uma espécie de cancela” fica muito mais barato!

Quando os responsáveis por uma empresa a quem foi adjudicada uma obra nem sequer lêem o EIA do respectivo projecto, que garantias podem dar, à administração do ambiente e aos cidadãos, de que cumpririam as medidas de minimização impostas, no caso de uma hipotética mas improvável decisão favorável?

Cristina Gonçalves

TELEFÉRICO DO RABAÇAL - É SÓ VANTAGENS, OU QUEM PAGA TEM SEMPRE RAZÃO!

Um leitor anónimo comentou que não percebia porque é que não se falava do estudo de impacto ambiental à construção do teleférico no Rabaçal. Aproveito então a deixa para o fazer!

Uma coisa que aprendi na vida profissional é que quem paga tem sempre razão. Contrata-se uma empresa de consultadoria para qualquer coisa e a primeira coisa que eles vão fazer é tentar descobrir para que opinião tende o cliente. E depois, arranjam mil e uma razões nesse sentido...

Se toda a gente vê que é verde, mas o cliente diz que é vermelho, a conclusão vai ser decerto que... É vermelho! É triste, mas é a realidade!

Vem esta estória a propósito do Estudo de Impacto Ambiental do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal realizado pela empresa Ecomind - Consultadoria Ambiental, Lda: os aspectos negativos são totalmente minimizados, os positivos fortemente realçados e chega-se ao ponto de defender que o aumento do número de visitantes é positivo, dado que com o teleférico não farão a viagem de ida e volta pela levada! Pois... E o aumento decorrente das pessoas que nunca fariam a levada sem o teleférico?

E O TELEFÉRICO DO RABAÇAL?

in: Furabardos - Jornal Online Madeirense

“Por isso, não devem ser autorizadas, em princípio, mais quaisquer obras públicas ou privadas na área da nossa floresta natural que a afectem de qualquer modo...
E o aproveitamento dos recursos que possam estar nela concentrados ou deve ser impedido ou controlado rigorosamente. Assim, as estradas e os caminhos rodoviários, os aproveitamentos hidráulicos e hidroeléctricos, as extracções de pedras e areias, os abrigos de montanha, estalagens e outras instalações de carácter urbano, mesmo que turístico, até a utilização de madeiras, lenhas ou outros produtos essenciais da floresta – tudo tem de ser, como regra, proibido, e só, como excepção, permitido, como nos casos em que os ganhos evidentes auferidos pela ilha com os investimentos ou actos realizados sejam manifestamente superiores ao somatório das vantagens e dos benefícios múltiplos da Laurissilva.”

Eng.º Rui Vieira in “Ameaças à Laurissilva no séc. XXI”,“Islenha”, nº 42
 
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