Ontem não vim cá... Fiquei a comemorar o primeiro aniversário da Cagarra!
Relembro o primeiro post:
Sexta-feira, 1 de Agosto de 2008
"ESTATUTO EDITORIAL"
As cagarras são aves migratórias de longa distância. Passam a maior parte da vida voando sobre os oceanos de águas temperadas a frias. O seu único contacto com terra é na época de reprodução, quando se reunem em ilhas e áreas costeiras para nidificar em zonas rochosas.
Esta cagarra, que anda mais por terra, vai defender acérrimamente a Madeira, lutando contra os que por acção a têm explorado (através de uma rede de tipo mafioso) mas também contra os que, por omissão, têm deixado que tal aconteça. Esses que se vendem por um lugar ou por meia dúzia de vinténs e que se dizem oposição são ainda piores do que o poder instalado.
Com ambos "A CAGARRA" vai ser implacável.
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domingo, 2 de agosto de 2009
terça-feira, 21 de outubro de 2008
UM BELO CARTAZ TURÍSTICO!
Na Madeira nova de AJJ, gasta-se dinheiro em faraónicos projectos de teleféricos em levadas, mas deixam-se os ladrões à solta!
É um belo cartaz turístico para a Madeira a repetição de assaltos a turistas nas levadas (e também noutros pontos turísticos).
Apenas alguns dos exemplos dos últimos dez dias, limitando-me a referir as ocorrências em levadas:
19/10 Jornal da Madeira:
Na Levada do Palheiro Ferreiro
Assaltos a turistas com ameaça de navalhas (referidos nesta notícia mais dois assaltos no dia 17)
10/10 Jornal da Madeira:
Na Levada dos Piornais
Turistas ingleses alvo de assalto com violência
Ou seja em apenas dez dias, pelo menos 4 assaltos a turistas em levadas!
Decerto que em breve serão dadas instruções aos órgãos de comunicação no sentido de ocultarem estas ocorrências...
É um belo cartaz turístico para a Madeira a repetição de assaltos a turistas nas levadas (e também noutros pontos turísticos).
Apenas alguns dos exemplos dos últimos dez dias, limitando-me a referir as ocorrências em levadas:
19/10 Jornal da Madeira:
Na Levada do Palheiro Ferreiro
Assaltos a turistas com ameaça de navalhas (referidos nesta notícia mais dois assaltos no dia 17)
10/10 Jornal da Madeira:
Na Levada dos Piornais
Turistas ingleses alvo de assalto com violência
Ou seja em apenas dez dias, pelo menos 4 assaltos a turistas em levadas!
Decerto que em breve serão dadas instruções aos órgãos de comunicação no sentido de ocultarem estas ocorrências...
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quarta-feira, 15 de outubro de 2008
TELEFÉRICO DO RABAÇAL (IX)
Mais algumas opiniões:
No Olho de Fogo:
Rabaçal em risco XI [Rabaçal at risk in Madeira Island] argumentos oficiais
Actualmente já vão 60 mil pessoas por ano ao Rabaçal, numa média a caminho das 200 pessoas por dia. Isto é um prejuízo? Ausência de rentabilidade? Diz-se que a natureza não deve ter apenas um valor contemplativo, mas o teleférico até o valor contemplativo da natureza põe em causa, sem acrescentar outros valores de forma inequívoca ou susbtantiva.
Continue a ler aqui
No Os tormentos do linho:
Referendo à construção do teleférico no Rabaçal
E que tal chamar os madeirenses às urnas num referendo sobre a construção de um teleférico no Rabaçal?
Carta de leitora no Diário:
Diana Rodrigues
Teleférico
Data: 12-10-2008
Concordo totalmente com a carta do Sr. Manuel N., e concordo ainda mais (!) com a carta da Sra. D. Teresa Pereira, que se pronunciaram absolutamente contra a construção de um teleférico no Rabaçal.
Só de pensar em construir ali o que quer que seja é uma aberração total. Se estão com tanta queda para a construção civil - porque não aproveitam e recuperam as casinhas de Santana?
Continue a ler aqui
Carta de leitor no Diário:
Nuno Costa
Teleférico
Data: 14-10-2008
Temos assistido neste últimos 30 anos de autonomia ao progresso da nossa ilha e à melhoria do nível de vida dos madeirenses. E apesar de haver aspectos negativos foram importantes as obras que se fizeram, penso que é justo reconhecer isso.
Há apenas pouco mais de uma década é que se começou a pensar no custo do desenvolvimento para o ambiente e para o nosso património natural. Penso que hoje em dia está assente, pela maioria dos madeirenses, a tremenda importância que a natureza e a paisagem representam para nós e para a nossa principal indústria que é o turismo.
Este é na minha opinião o nosso principal recurso e temos de o preservar a todo o custo, sendo por isso uma péssima ideia colocar um teleférico na zona do Rabaçal que é uma área de floresta protegida.
Parem antes que seja tarde de mais! Ouçam os turistas: "STOP BUILDING". Eles sabem do que estão a falar. Não estraguem o ténue equilíbrio entre o desenvolvimento que atingimos e o nosso património natural. Alguém que coloque a mão na consciência e veja que esta não é uma boa ideia e só vai desvalorizar a nossa preciosa floresta e a paisagem natural.
Carta de leitor no Diário:
Rui Taborda
Rabaçal
Data: 15-10-2008
Li o Artigo que saiu sobre o Teleférico que querem construir no Rabaçal, e na minha opinião esta é mais uma daquelas obras (caso seja autorizado) que só servirá os interesses de alguns.
Acho que será lastimoso a construção de um teleférico numa zona tão magnífica como é a zona do Rabaçal, ao contrário do que diz o "espertalhão" do Domingos Abreu, o tal que é bastonário da Ordem dos Biólogos.
Continue a ler aqui
No Olho de Fogo:
Rabaçal em risco XI [Rabaçal at risk in Madeira Island] argumentos oficiais
Actualmente já vão 60 mil pessoas por ano ao Rabaçal, numa média a caminho das 200 pessoas por dia. Isto é um prejuízo? Ausência de rentabilidade? Diz-se que a natureza não deve ter apenas um valor contemplativo, mas o teleférico até o valor contemplativo da natureza põe em causa, sem acrescentar outros valores de forma inequívoca ou susbtantiva.
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No Os tormentos do linho:
Referendo à construção do teleférico no Rabaçal
E que tal chamar os madeirenses às urnas num referendo sobre a construção de um teleférico no Rabaçal?
Carta de leitora no Diário:
Diana Rodrigues
Teleférico
Data: 12-10-2008
Concordo totalmente com a carta do Sr. Manuel N., e concordo ainda mais (!) com a carta da Sra. D. Teresa Pereira, que se pronunciaram absolutamente contra a construção de um teleférico no Rabaçal.
Só de pensar em construir ali o que quer que seja é uma aberração total. Se estão com tanta queda para a construção civil - porque não aproveitam e recuperam as casinhas de Santana?
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Carta de leitor no Diário:
Nuno Costa
Teleférico
Data: 14-10-2008
Temos assistido neste últimos 30 anos de autonomia ao progresso da nossa ilha e à melhoria do nível de vida dos madeirenses. E apesar de haver aspectos negativos foram importantes as obras que se fizeram, penso que é justo reconhecer isso.
Há apenas pouco mais de uma década é que se começou a pensar no custo do desenvolvimento para o ambiente e para o nosso património natural. Penso que hoje em dia está assente, pela maioria dos madeirenses, a tremenda importância que a natureza e a paisagem representam para nós e para a nossa principal indústria que é o turismo.
Este é na minha opinião o nosso principal recurso e temos de o preservar a todo o custo, sendo por isso uma péssima ideia colocar um teleférico na zona do Rabaçal que é uma área de floresta protegida.
Parem antes que seja tarde de mais! Ouçam os turistas: "STOP BUILDING". Eles sabem do que estão a falar. Não estraguem o ténue equilíbrio entre o desenvolvimento que atingimos e o nosso património natural. Alguém que coloque a mão na consciência e veja que esta não é uma boa ideia e só vai desvalorizar a nossa preciosa floresta e a paisagem natural.
Carta de leitor no Diário:
Rui Taborda
Rabaçal
Data: 15-10-2008
Li o Artigo que saiu sobre o Teleférico que querem construir no Rabaçal, e na minha opinião esta é mais uma daquelas obras (caso seja autorizado) que só servirá os interesses de alguns.
Acho que será lastimoso a construção de um teleférico numa zona tão magnífica como é a zona do Rabaçal, ao contrário do que diz o "espertalhão" do Domingos Abreu, o tal que é bastonário da Ordem dos Biólogos.
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domingo, 12 de outubro de 2008
TELEFÉRICO DO RABAÇAL (VIII)
Muito interessante o que se está a passar relativamente a este assunto...
Depois de a dita sociedade civil na Madeira ter começado a mostrar a sua oposição a este projecto megalómano, temos vindo a assistir nos últimos dias à profusão de declarações de elementos mais ou menos comprometidos com o regime jardinista favoáveis à construção do teleférico.
E muito significativo a este respeito foi o que se passou com o Diário de Notícias da Madeira: depois de me ter contactado pedindo o e-mail de Pat e John Underwood nada foi publicado com as posições deles, mas vários artigos favoráveis ao projecto têm visto a luz do dia nas suas páginas...
Se mais provas fossem necessárias quanto ao cada vez maior comprometimento deste jornal com AJJ, elas estariam neste caso! E para tapar o sol com a peneira, vão publicando uma ou outra carta de leitores, com o destaque que sabemos, enquanto as declarações dos figurões aoparecem nas melhores páginas...
Depois de a dita sociedade civil na Madeira ter começado a mostrar a sua oposição a este projecto megalómano, temos vindo a assistir nos últimos dias à profusão de declarações de elementos mais ou menos comprometidos com o regime jardinista favoáveis à construção do teleférico.
E muito significativo a este respeito foi o que se passou com o Diário de Notícias da Madeira: depois de me ter contactado pedindo o e-mail de Pat e John Underwood nada foi publicado com as posições deles, mas vários artigos favoráveis ao projecto têm visto a luz do dia nas suas páginas...
Se mais provas fossem necessárias quanto ao cada vez maior comprometimento deste jornal com AJJ, elas estariam neste caso! E para tapar o sol com a peneira, vão publicando uma ou outra carta de leitores, com o destaque que sabemos, enquanto as declarações dos figurões aoparecem nas melhores páginas...
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sexta-feira, 10 de outubro de 2008
TELEFÉRICO DO RABAÇAL (VII)
Duas cartas de leitores no Diário de Notícias da Madeira publicadas em dias seguidos:
Manuel N
Teleférico no Rabaçal
Data: 08-10-2008
Toda a área de ocorrência de Laurissilva integra o Parque Natural da Madeira, conferindo-lhe assim um forte estatuto de protecção. Em 1992 foi incorporada na rede de Reservas Biogenéticas do Conselho da Europa e constitui Zona de Protecção Especial-ZPE, no âmbito da Directiva Aves.
A Laurissilva da Madeira ascendeu à qualidade de Património Mundial Natural da UNESCO em Dezembro de 1999. (http://www.ippar.pt/patrimonio/mundial/madeira.html) A pretensão de construir um teleférico no Rabaçal é uma aberração com contornos criminosos. Este local, a par de uns poucos outros, é um santuário da nossa Natureza. Como tal deveria estar, legalmente, ao abrigo de pretensões como esta, mascaradas de investimento.
O nosso receio ainda é maior por vir duma daquelas entidades ditas de desenvolvimento. Porque, evoca-nos a falta de respeito com que os seus dirigentes têm tratado as suas obras e aquisições. Falta de respeito que dá indícios que se servem dos seus lugares ao invés de servirem. Senão vejamos: - Como é possível investir em instalações e equipamentos para ficarem parados a se degradarem? Como a marina de ondas espectaculares e pedregulhos a céu aberto que escaparam, ambos, aos estudos prévios que deveriam existir ou melhor, pois poupava-se imenso dinheiro, bastava conversar um pouco com as pessoas mais velhas da zona. Assim, também ter-se-iam evitado os portos verdadeiros caça ondas da nossa costa. E outros equipamentos a figurarem na inauguração e depois a ficarem sem utilidade ou utilização. Como o guincho para barcos nos Reis Magos e o teleférico do Garajau a caminhar para tal.
- Quantos metros quadrados de construção sem qualquer utilidade ou utilização, salas, fóruns, centros disto e daquilo. Como o dito 'museu da baleia', que enquanto procuram sem sucesso conteúdos para preencher o seu espaço exagerado, deixam apodrecer a algumas dezenas de metros o que foi a última baleeira da região, quase ao lado da progressiva degradação do carreireiro, reconstruído, símbolo das ligações no nosso arquipélago. Como construções para bares, barzinhos ou barões, de todas as formas e feitios, por vezes aberrantes como os bankers de S. Vicente, como se estes negócios não fossem praticamente os únicos que a generalidade do madeirense sabe ou pensa que sabe gerir. - Quantas plantas, em especial palmeiras, por quem, sabe-se lá porquê, têm especial predilecção, ou talvez até se desconfie, são postas à terra e abandonadas após a inauguração, algumas vezes de variedades inconciliáveis com as condições climáticas do local, como no Seixal, por exemplo. - Quantos equipamentos desnecessários como a espantosa densidade de candeeiros por m2 nas áreas ajardinadas, isto é abandonadas e cheias de erva, junto a edifício construído no porto de Santa Cruz, o de restaurante que abre e fecha, agora com possível discoteca. Claro para o desenvolvimento da região! Mas para quê um teleférico no Rabaçal? Para a valorização de "uma área de beleza única" e para a criação de um acesso cómodo e rápido para os visitantes que ali se dirigem? 5 milhões de euros? Ainda não viram, ou estes indivíduos vêm mas isso não lhes serve, que o verdadeiro monumento que a Madeira tem é a sua Natureza e a melhor obra que podem deixar para o futuro, gravando o seu nome na história do nosso Arquipélago, é contribuírem para a sua preservação. A classificação 'desfavorável-má' resultante do Relatório Nacional de Implantação da Directiva Habitats na União Europeia (2001-2006) espelha o que se está a fazer. A classificação como património mundial foi encarada, meramente, uma vitória política e usada como instrumento de estratégia de marketing. Não se investiu na sua limpeza para prevenir incêndios e infestantes. Não se impediu como se devia a intervenção humana. Foi rasgada pelo betão! Infelizmente estes indivíduos, que por razões várias ocupam lugares, temporários, de decisão, não gostam de plantar. Preferem antes colher.
Se em lugar de um destes fóruns por aí inutilmente plantados, por exemplo o de Machico, ou o elefante branco (ou baleia cinzenta) do Caniçal, poder-se-ia cultivar um jardim ou parque pensado para as gerações vindouras. Valorizando a zona, em ambos os casos incomparáveis baías de águas calmas e, em especial no segundo, límpidas! Comparemos os seus custos e os seus benefícios. Perdas só para os que estavam à espera das respectivas comissões, mas todos ficávamos mais ricos, menos endividados e com um bem que a Natureza encarregaria de desenvolver. No futuro, lição e objecto de deslumbramento e bem-estar.
A justificação de que foi mão-de-obra ocupada é banal e falsa. Despender meios para fins de pouca utilidade, ocupando e danificando espaços em zonas sensíveis, não será política regional correcta. Muitas vezes obras executadas por pessoas que não sendo da região naturalmente levarão os frutos do seu trabalho para as suas terras. Invista-se em educação, formação, investigação, energias alternativas e outras áreas determinantes. Um bom viveiro de plantas autóctones para servir as nossas serras e áreas públicas e privadas teria um retorno interessante para a região. Mas isso são outros compadrios e sociedades.
Tiremos a lição do que agora vem ao de cima, na crise económica e social que marcará o nosso tempo. Um falso desenvolvimento para sustentar os vícios e a opulência dos decisores do que deveriam ser instrumentos financeiros essenciais ao desenvolvimento económico das sociedades. Esperemos é que os 'furacões' anunciados não passem sempre ao largo destas situações. Se esta ideia, do malfadado teleférico, for para a frente, não nos admiremos de nos deparar nas anunciadas 'estações', com bares, salas de conferência, venda de souvenirs, mais espaços fechados à procura de conteúdos … e rodeados de palmeiras. No Rabaçal! Que apenas durariam, palmeiras e ocupação dos espaços, o tempo suficiente da inauguração! A permissão de execução de tal construção no seio do nosso Património Natural, pertença das actuais gerações mas sobretudo das futuras, é de facto uma decisão de grande importância pelo que se impõe uma tomada de posição pública do novo director do Parque Natural.
Teresa Pereira
Teleférico do Rabaçal
Data: 09-10-2008
Concordo na íntegra com o Senhor Manuel N., só discordo num ponto: o Senhor foi demasiado brando. Precisamos de dizer a estes governantes de secretária, que não precisam de "roubar" mais aos contribuintes construindo coisas novas, como se estivessem no centro do mundo a ter ideias novas. 'STOP BUILDING', como pediram os turistas, esses sim, que AINDA visitam a nossa terra, e têm uma palavra importante que devia ser ouvida. Gastam milhões na promoção turística, para quê? Para meter mais cimento? Quem é que desta vez vai meter ao bolso a percentagem da construção do teleférico do rabaçal? PAREM, POR FAVOR… Construir para terem votos já não pega. Que tal pensarem em RECUPERAR o nosso património que ainda resta, porque em 30 anos de autonomia nem tudo foi mau.
Manuel N
Teleférico no Rabaçal
Data: 08-10-2008
Toda a área de ocorrência de Laurissilva integra o Parque Natural da Madeira, conferindo-lhe assim um forte estatuto de protecção. Em 1992 foi incorporada na rede de Reservas Biogenéticas do Conselho da Europa e constitui Zona de Protecção Especial-ZPE, no âmbito da Directiva Aves.
A Laurissilva da Madeira ascendeu à qualidade de Património Mundial Natural da UNESCO em Dezembro de 1999. (http://www.ippar.pt/patrimonio/mundial/madeira.html) A pretensão de construir um teleférico no Rabaçal é uma aberração com contornos criminosos. Este local, a par de uns poucos outros, é um santuário da nossa Natureza. Como tal deveria estar, legalmente, ao abrigo de pretensões como esta, mascaradas de investimento.
O nosso receio ainda é maior por vir duma daquelas entidades ditas de desenvolvimento. Porque, evoca-nos a falta de respeito com que os seus dirigentes têm tratado as suas obras e aquisições. Falta de respeito que dá indícios que se servem dos seus lugares ao invés de servirem. Senão vejamos: - Como é possível investir em instalações e equipamentos para ficarem parados a se degradarem? Como a marina de ondas espectaculares e pedregulhos a céu aberto que escaparam, ambos, aos estudos prévios que deveriam existir ou melhor, pois poupava-se imenso dinheiro, bastava conversar um pouco com as pessoas mais velhas da zona. Assim, também ter-se-iam evitado os portos verdadeiros caça ondas da nossa costa. E outros equipamentos a figurarem na inauguração e depois a ficarem sem utilidade ou utilização. Como o guincho para barcos nos Reis Magos e o teleférico do Garajau a caminhar para tal.
- Quantos metros quadrados de construção sem qualquer utilidade ou utilização, salas, fóruns, centros disto e daquilo. Como o dito 'museu da baleia', que enquanto procuram sem sucesso conteúdos para preencher o seu espaço exagerado, deixam apodrecer a algumas dezenas de metros o que foi a última baleeira da região, quase ao lado da progressiva degradação do carreireiro, reconstruído, símbolo das ligações no nosso arquipélago. Como construções para bares, barzinhos ou barões, de todas as formas e feitios, por vezes aberrantes como os bankers de S. Vicente, como se estes negócios não fossem praticamente os únicos que a generalidade do madeirense sabe ou pensa que sabe gerir. - Quantas plantas, em especial palmeiras, por quem, sabe-se lá porquê, têm especial predilecção, ou talvez até se desconfie, são postas à terra e abandonadas após a inauguração, algumas vezes de variedades inconciliáveis com as condições climáticas do local, como no Seixal, por exemplo. - Quantos equipamentos desnecessários como a espantosa densidade de candeeiros por m2 nas áreas ajardinadas, isto é abandonadas e cheias de erva, junto a edifício construído no porto de Santa Cruz, o de restaurante que abre e fecha, agora com possível discoteca. Claro para o desenvolvimento da região! Mas para quê um teleférico no Rabaçal? Para a valorização de "uma área de beleza única" e para a criação de um acesso cómodo e rápido para os visitantes que ali se dirigem? 5 milhões de euros? Ainda não viram, ou estes indivíduos vêm mas isso não lhes serve, que o verdadeiro monumento que a Madeira tem é a sua Natureza e a melhor obra que podem deixar para o futuro, gravando o seu nome na história do nosso Arquipélago, é contribuírem para a sua preservação. A classificação 'desfavorável-má' resultante do Relatório Nacional de Implantação da Directiva Habitats na União Europeia (2001-2006) espelha o que se está a fazer. A classificação como património mundial foi encarada, meramente, uma vitória política e usada como instrumento de estratégia de marketing. Não se investiu na sua limpeza para prevenir incêndios e infestantes. Não se impediu como se devia a intervenção humana. Foi rasgada pelo betão! Infelizmente estes indivíduos, que por razões várias ocupam lugares, temporários, de decisão, não gostam de plantar. Preferem antes colher.
Se em lugar de um destes fóruns por aí inutilmente plantados, por exemplo o de Machico, ou o elefante branco (ou baleia cinzenta) do Caniçal, poder-se-ia cultivar um jardim ou parque pensado para as gerações vindouras. Valorizando a zona, em ambos os casos incomparáveis baías de águas calmas e, em especial no segundo, límpidas! Comparemos os seus custos e os seus benefícios. Perdas só para os que estavam à espera das respectivas comissões, mas todos ficávamos mais ricos, menos endividados e com um bem que a Natureza encarregaria de desenvolver. No futuro, lição e objecto de deslumbramento e bem-estar.
A justificação de que foi mão-de-obra ocupada é banal e falsa. Despender meios para fins de pouca utilidade, ocupando e danificando espaços em zonas sensíveis, não será política regional correcta. Muitas vezes obras executadas por pessoas que não sendo da região naturalmente levarão os frutos do seu trabalho para as suas terras. Invista-se em educação, formação, investigação, energias alternativas e outras áreas determinantes. Um bom viveiro de plantas autóctones para servir as nossas serras e áreas públicas e privadas teria um retorno interessante para a região. Mas isso são outros compadrios e sociedades.
Tiremos a lição do que agora vem ao de cima, na crise económica e social que marcará o nosso tempo. Um falso desenvolvimento para sustentar os vícios e a opulência dos decisores do que deveriam ser instrumentos financeiros essenciais ao desenvolvimento económico das sociedades. Esperemos é que os 'furacões' anunciados não passem sempre ao largo destas situações. Se esta ideia, do malfadado teleférico, for para a frente, não nos admiremos de nos deparar nas anunciadas 'estações', com bares, salas de conferência, venda de souvenirs, mais espaços fechados à procura de conteúdos … e rodeados de palmeiras. No Rabaçal! Que apenas durariam, palmeiras e ocupação dos espaços, o tempo suficiente da inauguração! A permissão de execução de tal construção no seio do nosso Património Natural, pertença das actuais gerações mas sobretudo das futuras, é de facto uma decisão de grande importância pelo que se impõe uma tomada de posição pública do novo director do Parque Natural.
Teresa Pereira
Teleférico do Rabaçal
Data: 09-10-2008
Concordo na íntegra com o Senhor Manuel N., só discordo num ponto: o Senhor foi demasiado brando. Precisamos de dizer a estes governantes de secretária, que não precisam de "roubar" mais aos contribuintes construindo coisas novas, como se estivessem no centro do mundo a ter ideias novas. 'STOP BUILDING', como pediram os turistas, esses sim, que AINDA visitam a nossa terra, e têm uma palavra importante que devia ser ouvida. Gastam milhões na promoção turística, para quê? Para meter mais cimento? Quem é que desta vez vai meter ao bolso a percentagem da construção do teleférico do rabaçal? PAREM, POR FAVOR… Construir para terem votos já não pega. Que tal pensarem em RECUPERAR o nosso património que ainda resta, porque em 30 anos de autonomia nem tudo foi mau.
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quinta-feira, 9 de outubro de 2008
TELEFÉRICO DO RABAÇAL (VI)
A transcrição da primeira notícia com depoimentos de utilizadores das levadas, publicada em orgãos de comunicação social madeirenses sobre este assunto:
O GARAJAU
(enviado por Emanuel Bento)
PROTESTO CONTRA TELEFÉRICO NO RABAÇAL JÁ CHEGOU AO ESTRANGEIRO
Os autores do mais conhecido livro sobre as Levadas da Madeira estão decididamente contra a ideia da Vice-Presidência do Governo Regional em construir um teleférico no Rabaçal e subscrevem os protestos de quem também julga esta ideia um disparate, além de ser um atentado ambiental que vai certamente pôr em risco aquele que é um dos locais mais visitados e preservados da Madeira.
John and Pat Underwood são os autores do “Madeira Car Tours And Walks”, obra que já vai na 9ª edição e que está editada em diversas línguas (desde o inglês ao alemão). Este livro foi inclusivamente premiado como o “Best Travel Guide), um prestigiado prémio atribuído pela Thomas Cook.
Este casal, que já visita a Região desde 1973, onde vieram em lua de mel, muito tem contribuído para divulgar internacionalmente a Madeira e as suas belezas naturais pois a sua obra é sem dúvida um dos livros mais vendidos no Mundo que fala da Madeira.
Este casal de ingleses foi alertado para a situação através da blogosfera. O blog www.acagarra.blogspot.com da autoria de João Carvalho Fernandes (ligado ao PND nacional) tem feito vários posts a alertar para a estupidez que é esta ideia do teleférico no Rabaçal. Outro blog onde o assunto também tem tido destaque (pela negativa) é o www.olhodefogo.blogspot.com de Nélio Sousa, professor e ambientalista, natural da Calheta.
No e-mail que enviaram a João Carvalho Fernandes, John and Pat Underwood questionam o que vai acontecer ao Rabaçal se a ideia for avante e questionam ainda se Raimundo Quintal já se pronunciou sobre o assunto, perguntando até se o Geógrafo e ex-vereador da CMF não tem influência sobre esta decisão do Governo Regional.
Esta anunciada intenção de construção de um teleférico no Rabaçal não parece ter incomodado a comunicação social da Madeira que, apesar de ter publicado algumas notícias, faz de conta que o assunto não é grave e assiste passivamente a mais um planeado atentado ambiental, isto apesar de haver unanimidade nos pareceres negativos de várias entidades (Câmara Municipal da Calheta, Direcção Regional de Ambiente, Direcção Regional de Florestas e Quercus).
Refira-se que são cinco milhões e 273 euros que a Vice-Presidência pretende gastar num teleférico no Rabaçal através da Sociedade de Desenvolvimento da Ponta Oeste, sendo ainda de destacar a absurda e ridícula justificação que a Ponta Oeste dá para esta estapafúrdia ideia: «Necessidade turística» e «dar a conhecer a Floresta Laurissilva e as veredas das Levadas das 25 Fontes e do Risco», como se os turistas estivessem mesmo à espera de ter um teleférico no Rabaçal com capacidade para transportar 240 pessoas por hora…
Emanuel Bento
O GARAJAU
(enviado por Emanuel Bento)
PROTESTO CONTRA TELEFÉRICO NO RABAÇAL JÁ CHEGOU AO ESTRANGEIRO
Os autores do mais conhecido livro sobre as Levadas da Madeira estão decididamente contra a ideia da Vice-Presidência do Governo Regional em construir um teleférico no Rabaçal e subscrevem os protestos de quem também julga esta ideia um disparate, além de ser um atentado ambiental que vai certamente pôr em risco aquele que é um dos locais mais visitados e preservados da Madeira.
John and Pat Underwood são os autores do “Madeira Car Tours And Walks”, obra que já vai na 9ª edição e que está editada em diversas línguas (desde o inglês ao alemão). Este livro foi inclusivamente premiado como o “Best Travel Guide), um prestigiado prémio atribuído pela Thomas Cook.
Este casal, que já visita a Região desde 1973, onde vieram em lua de mel, muito tem contribuído para divulgar internacionalmente a Madeira e as suas belezas naturais pois a sua obra é sem dúvida um dos livros mais vendidos no Mundo que fala da Madeira.
Este casal de ingleses foi alertado para a situação através da blogosfera. O blog www.acagarra.blogspot.com da autoria de João Carvalho Fernandes (ligado ao PND nacional) tem feito vários posts a alertar para a estupidez que é esta ideia do teleférico no Rabaçal. Outro blog onde o assunto também tem tido destaque (pela negativa) é o www.olhodefogo.blogspot.com de Nélio Sousa, professor e ambientalista, natural da Calheta.
No e-mail que enviaram a João Carvalho Fernandes, John and Pat Underwood questionam o que vai acontecer ao Rabaçal se a ideia for avante e questionam ainda se Raimundo Quintal já se pronunciou sobre o assunto, perguntando até se o Geógrafo e ex-vereador da CMF não tem influência sobre esta decisão do Governo Regional.
Esta anunciada intenção de construção de um teleférico no Rabaçal não parece ter incomodado a comunicação social da Madeira que, apesar de ter publicado algumas notícias, faz de conta que o assunto não é grave e assiste passivamente a mais um planeado atentado ambiental, isto apesar de haver unanimidade nos pareceres negativos de várias entidades (Câmara Municipal da Calheta, Direcção Regional de Ambiente, Direcção Regional de Florestas e Quercus).
Refira-se que são cinco milhões e 273 euros que a Vice-Presidência pretende gastar num teleférico no Rabaçal através da Sociedade de Desenvolvimento da Ponta Oeste, sendo ainda de destacar a absurda e ridícula justificação que a Ponta Oeste dá para esta estapafúrdia ideia: «Necessidade turística» e «dar a conhecer a Floresta Laurissilva e as veredas das Levadas das 25 Fontes e do Risco», como se os turistas estivessem mesmo à espera de ter um teleférico no Rabaçal com capacidade para transportar 240 pessoas por hora…
Emanuel Bento
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quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Turistas 'chumbam' teleférico no Rabaçal
E finalmente começa a haver reacções, neste caso dos principais interessados...
Com a devia vénia ao Diário de Notícias da Madeira

Logo pelo início da manhã, os carros de turismo chegam em grande número ao Rabaçal para o passeio mágico de descoberta da natureza. As viaturas ficam estacionadas junto à estrada principal do Paul da Serra e os turistas fazem-se à estrada para partilharem da beleza daquela serra e dos seus trilhos. Outros aguardam pela carrinha da Câmara Municipal da Calheta que, por cinco euros, leva e traz o visitante que se quer deslumbrar com o ar puro e as vistas de zonas como o Risco, 25 Fontes, Fonte Vermelha, Lagoa do Vento e Lagoa do Alecrim.
Esta movimentação poderá ser alterada futuramente, uma vez que a Sociedade de Desenvolvimento da Ponta Oeste já anunciou que pretende construir um teleférico no Rabaçal, orçado em mais de cinco milhões de euros. Mas, de forma cautelosa e a medir todos os ângulos da questão, a Vice-Presidência do GR não quer avançar sem o relatório final da comissão de avaliação do estudo de impacto ambiental, ainda em fase de elaboração.
Com ou sem relatório, os muitos turistas que ontem se encontravam no Rabaçal foram unânimes em discordar dessa empreitada. Ingleses, alemães e até espanhóis fizeram 'cara feia' ao projecto com a argumentação de que "vai estragar uma zona de rara beleza."
Mais contundente foi a posição assumida ao DIÁRIO pela inglesa Anne Hopwood: "Não é uma boa ideia. Vocês já construíram tanto na Madeira e é a altura de pararem com tanta construção. Será que não percebem que não vão deixar nada para os visitantes verem? " Ao lado, um casal alemão também reprovava o teleférico, com a justificação de que se "poderá estar a arruinar uma bela ilha." A costa Norte, de Santana a São Vicente, ainda merece nota positiva, mas o Funchal e a zona Oeste são castigados com as críticas pelo "excesso de construção numa área tão pequena."
Enquanto se ouvia o repetitivo "stop building" (parem de construir), a carrinha da Câmara Municipal da Calheta chegava para levar os turistas até ao largo, junto à casa florestal, que serve de ponto de partida para os diversos percursos pedonais, nomeadamente Lagoa do Vento, 25 Fontes e outros paraísos, ao mesmo tempo que alguns grupos preferiam fazer o percurso a pé. O funcionário camarário Nazário tem uma "opinião própria" mas deixou logo claro que a guardaria para si próprio.
Descaracterizar a paisagem
Outro casal alemão, a trocar os sapatos pelas sapatilhas para começar a caminhada lembrou, que "as autoridades deveriam dar atenção aos pareceres dos ambientalistas, nomeadamente em relação ao impacto dessa obra nesta magnífica paisagem." Não tinha dados para formular opinião. Apenas um comentário: "Gostamos é da natureza."
Também um casal de espanhóis discorda da ideia. Natural de Barcelona, a Madeira foi o destino escolhido para as férias. O passeio ao Rabaçal é a 'cereja no bolo'. Quando se fala na possibilidade de haver ali um teleférico, os espanhóis entreolham-se e comentam: "Não devem construir porque vai descaracterizar a paisagem. Além disso, os teleféricos costumam ser muito caros para quem quer neles andar. Há que reflectir melhor."
Outro casal, oriundo da Suíça, foi também peremptório: "Não sou fã de teleféricos. É melhor deixar como está."
Já os condutores das carrinhas de turismo têm uma opinião completamente favorável ao teleférico. Adelino Gonçalves e Alexandre Silva justificam com experiências que existem noutras zonas da Madeira e que contam até com boa adesão dos turistas. Também não concordam com o argumento de que "estraga a natureza". Mais "estragos faz a carrinha que desce Rabaçal abaixo a deitar fumarada." Para estes profissionais, as reservas de alguns turistas ao teleférico nada têm a ver com os danos na paisagem mas com o bolso. "O turismo que nos visita perdeu poder de compra e isso é cada vez mais visível, porque não quer gastar quase nada. Não é uns cabos que acabam com a natureza."
Segundo o DIÁRIO apurou ontem junto da dona da obra, é aguardado o relatório final da comissão de avaliação do estudo de impacto ambiental para revelar a posição definitiva sobre este projecto: de avanço ou de recuo. Para já, terminou o período de discussão pública em torno do estudo de impacto ambiental , foram recolhidos pareceres de várias entidades e aguarda-se pela decisão final.
Tal como já foi anunciado, o teleférico projectado tem capacidade de carga para 240 pessoas por hora, o que por si só assegura uma movimentação ainda maior do que aquela que se verifica presentemente no Rabaçal.
Na revista oficial da Vice-Presidência do GR, fica-se a saber da intenção por parte d da Ponta Oeste, do lançamento do concurso de concepção/construção do teleférico. "Pretende-se fazer uma ligação rápida e segura desde a cota alta do Paul da Serra, que se situa a mais de 1.200 metros de altitude (Estação A), a uma cota intermédia, onde está localizada a Casa do Rabaçal, sensivelmente a mil metros (Estação B) e, ainda, a ligação a uma cota ainda mais baixa (Estação C). Assim sendo, o projecto será composto por três estações, situadas em terrenos que apresentam um declive muito acentuado. Contudo, e por ser uma zona onde a Natureza é o elemento dominador, pretende-se que as infra-estruturas tenham pouco impacto visual na paisagem, procurando na generalidade a sua camuflagem."
Apesar de tudo, é um projecto que ainda não convenceu totalmente turistas e técnicos.
Câmara vota favoravelmente
O paradisíaco Rabaçal insere-se no domínio territorial do município da Calheta. O presidente da respectiva Câmara Municipal afirmou ao DIÁRIO que "os serviços técnicos da autarquia emitiram um parecer favorável ao projecto."
Curiosamente, há ambientalistas que dizem ter acompanhado a discussão pública do estudo de impacto ambiental e terão verificado a posição desfavorável da autarquia ao investimento. Porém, Manuel Baeta clarifica que o executivo camarário aprova.
Interrogado sobre as razões que levaram a Câmara a dar parecer favorável, o autarca explica-se nestes termos: "A nossa perspectiva é meramente empresarial. Aprovámos um investimento que permitirá assegurar também o desenvolvimento do concelho e criar mais postos de trabalho."
Quanto às possíveis consequências na paisagem, Manuel Baeta reserva essas opiniões aos peritos. "O nosso parecer não tem nada a ver com a questão ambiental, visto que há entidades competentes que estão a estudar tecnicamente o assunto e que se deverão pronunciar na devida altura", sublinha o edil.
'Quercus' em total desacordo
A associação ambientalista 'Quercus' é totalmente contra um teleférico no Rabaçal. "Estamos a falar de uma obra que não traz nenhuma mais-valia para o local, acabando inclusivamente por matar a paisagem e o tão procurado passeio a pé", afirma o presidente nacional Helder Spínola.
Por outro lado, o ambientalista prevê consequências negativas na preservação do habitat da laurissilva, com regras internacionais apertadas de preservação e controlo.
A ser viabilizado o projecto, há também uma fase de desmatação para a instalação das bases da nova estrutura que preocupa o ambientalista. Por outro lado, a lotação prevista, o transporte de 240 pessoas por hora, terá também outros reflexos preocupantes já que a zona não estará preparada para receber tantas pessoas. "Estamos a falar de um projecto que não faz nenhum sentido naquela zona", afirma Helder Spínola. O ambientalista diz mesmo que há entidades públicas que já se pronunciaram contra, na fase de discussão pública, como o parque Natural da Madeira e a própria Câmara da Calheta. Independentemente disso, acha que é um projecto para esquecer.
Ambiente prepara relatório final
O director regional de Ambiente considera "prematuro" emitir uma opinião sobre o teleférico do Rabaçal num momento em que tem a sua equipa de técnicos (e outros), a chamada comissão de avaliação, a elaborar o relatório final sobre o impacto ambiental dessa estrutura.
João Correia apenas acrescenta que encerrou o período de discussão pública e que os pareceres estão todos a ser ponderados, assim como as variáveis técnicas. Não se trata de querer fugir à questão, ressalva o director regional, mas não comentar, fora de tempo e sem todos os dados, o assunto.
Tal como o DIÁRIO já publicou, na edição de 11 de Setembro passado, o estudo de impacto ambiental dá nota de alguns aspectos pouco positivos. "A justificação do projecto apresenta algumas incoerências, devendo os objectivos e definições serem alvo de reavaliação." Mas não só. Há também reservas, até mesmo por parte da comissão de avaliação, sobre a influência da capacidade de carga nos ecossistemas naturais, receando-se que possa haver alguma degradação." Mas resta aguardar pelo relatório final desta comissão.
Rosário Martins
Com a devia vénia ao Diário de Notícias da Madeira

Logo pelo início da manhã, os carros de turismo chegam em grande número ao Rabaçal para o passeio mágico de descoberta da natureza. As viaturas ficam estacionadas junto à estrada principal do Paul da Serra e os turistas fazem-se à estrada para partilharem da beleza daquela serra e dos seus trilhos. Outros aguardam pela carrinha da Câmara Municipal da Calheta que, por cinco euros, leva e traz o visitante que se quer deslumbrar com o ar puro e as vistas de zonas como o Risco, 25 Fontes, Fonte Vermelha, Lagoa do Vento e Lagoa do Alecrim.
Esta movimentação poderá ser alterada futuramente, uma vez que a Sociedade de Desenvolvimento da Ponta Oeste já anunciou que pretende construir um teleférico no Rabaçal, orçado em mais de cinco milhões de euros. Mas, de forma cautelosa e a medir todos os ângulos da questão, a Vice-Presidência do GR não quer avançar sem o relatório final da comissão de avaliação do estudo de impacto ambiental, ainda em fase de elaboração.
Com ou sem relatório, os muitos turistas que ontem se encontravam no Rabaçal foram unânimes em discordar dessa empreitada. Ingleses, alemães e até espanhóis fizeram 'cara feia' ao projecto com a argumentação de que "vai estragar uma zona de rara beleza."
Mais contundente foi a posição assumida ao DIÁRIO pela inglesa Anne Hopwood: "Não é uma boa ideia. Vocês já construíram tanto na Madeira e é a altura de pararem com tanta construção. Será que não percebem que não vão deixar nada para os visitantes verem? " Ao lado, um casal alemão também reprovava o teleférico, com a justificação de que se "poderá estar a arruinar uma bela ilha." A costa Norte, de Santana a São Vicente, ainda merece nota positiva, mas o Funchal e a zona Oeste são castigados com as críticas pelo "excesso de construção numa área tão pequena."
Enquanto se ouvia o repetitivo "stop building" (parem de construir), a carrinha da Câmara Municipal da Calheta chegava para levar os turistas até ao largo, junto à casa florestal, que serve de ponto de partida para os diversos percursos pedonais, nomeadamente Lagoa do Vento, 25 Fontes e outros paraísos, ao mesmo tempo que alguns grupos preferiam fazer o percurso a pé. O funcionário camarário Nazário tem uma "opinião própria" mas deixou logo claro que a guardaria para si próprio.
Descaracterizar a paisagem
Outro casal alemão, a trocar os sapatos pelas sapatilhas para começar a caminhada lembrou, que "as autoridades deveriam dar atenção aos pareceres dos ambientalistas, nomeadamente em relação ao impacto dessa obra nesta magnífica paisagem." Não tinha dados para formular opinião. Apenas um comentário: "Gostamos é da natureza."
Também um casal de espanhóis discorda da ideia. Natural de Barcelona, a Madeira foi o destino escolhido para as férias. O passeio ao Rabaçal é a 'cereja no bolo'. Quando se fala na possibilidade de haver ali um teleférico, os espanhóis entreolham-se e comentam: "Não devem construir porque vai descaracterizar a paisagem. Além disso, os teleféricos costumam ser muito caros para quem quer neles andar. Há que reflectir melhor."
Outro casal, oriundo da Suíça, foi também peremptório: "Não sou fã de teleféricos. É melhor deixar como está."
Já os condutores das carrinhas de turismo têm uma opinião completamente favorável ao teleférico. Adelino Gonçalves e Alexandre Silva justificam com experiências que existem noutras zonas da Madeira e que contam até com boa adesão dos turistas. Também não concordam com o argumento de que "estraga a natureza". Mais "estragos faz a carrinha que desce Rabaçal abaixo a deitar fumarada." Para estes profissionais, as reservas de alguns turistas ao teleférico nada têm a ver com os danos na paisagem mas com o bolso. "O turismo que nos visita perdeu poder de compra e isso é cada vez mais visível, porque não quer gastar quase nada. Não é uns cabos que acabam com a natureza."
Segundo o DIÁRIO apurou ontem junto da dona da obra, é aguardado o relatório final da comissão de avaliação do estudo de impacto ambiental para revelar a posição definitiva sobre este projecto: de avanço ou de recuo. Para já, terminou o período de discussão pública em torno do estudo de impacto ambiental , foram recolhidos pareceres de várias entidades e aguarda-se pela decisão final.
Tal como já foi anunciado, o teleférico projectado tem capacidade de carga para 240 pessoas por hora, o que por si só assegura uma movimentação ainda maior do que aquela que se verifica presentemente no Rabaçal.
Na revista oficial da Vice-Presidência do GR, fica-se a saber da intenção por parte d da Ponta Oeste, do lançamento do concurso de concepção/construção do teleférico. "Pretende-se fazer uma ligação rápida e segura desde a cota alta do Paul da Serra, que se situa a mais de 1.200 metros de altitude (Estação A), a uma cota intermédia, onde está localizada a Casa do Rabaçal, sensivelmente a mil metros (Estação B) e, ainda, a ligação a uma cota ainda mais baixa (Estação C). Assim sendo, o projecto será composto por três estações, situadas em terrenos que apresentam um declive muito acentuado. Contudo, e por ser uma zona onde a Natureza é o elemento dominador, pretende-se que as infra-estruturas tenham pouco impacto visual na paisagem, procurando na generalidade a sua camuflagem."
Apesar de tudo, é um projecto que ainda não convenceu totalmente turistas e técnicos.
Câmara vota favoravelmente
O paradisíaco Rabaçal insere-se no domínio territorial do município da Calheta. O presidente da respectiva Câmara Municipal afirmou ao DIÁRIO que "os serviços técnicos da autarquia emitiram um parecer favorável ao projecto."
Curiosamente, há ambientalistas que dizem ter acompanhado a discussão pública do estudo de impacto ambiental e terão verificado a posição desfavorável da autarquia ao investimento. Porém, Manuel Baeta clarifica que o executivo camarário aprova.
Interrogado sobre as razões que levaram a Câmara a dar parecer favorável, o autarca explica-se nestes termos: "A nossa perspectiva é meramente empresarial. Aprovámos um investimento que permitirá assegurar também o desenvolvimento do concelho e criar mais postos de trabalho."
Quanto às possíveis consequências na paisagem, Manuel Baeta reserva essas opiniões aos peritos. "O nosso parecer não tem nada a ver com a questão ambiental, visto que há entidades competentes que estão a estudar tecnicamente o assunto e que se deverão pronunciar na devida altura", sublinha o edil.
'Quercus' em total desacordo
A associação ambientalista 'Quercus' é totalmente contra um teleférico no Rabaçal. "Estamos a falar de uma obra que não traz nenhuma mais-valia para o local, acabando inclusivamente por matar a paisagem e o tão procurado passeio a pé", afirma o presidente nacional Helder Spínola.
Por outro lado, o ambientalista prevê consequências negativas na preservação do habitat da laurissilva, com regras internacionais apertadas de preservação e controlo.
A ser viabilizado o projecto, há também uma fase de desmatação para a instalação das bases da nova estrutura que preocupa o ambientalista. Por outro lado, a lotação prevista, o transporte de 240 pessoas por hora, terá também outros reflexos preocupantes já que a zona não estará preparada para receber tantas pessoas. "Estamos a falar de um projecto que não faz nenhum sentido naquela zona", afirma Helder Spínola. O ambientalista diz mesmo que há entidades públicas que já se pronunciaram contra, na fase de discussão pública, como o parque Natural da Madeira e a própria Câmara da Calheta. Independentemente disso, acha que é um projecto para esquecer.
Ambiente prepara relatório final
O director regional de Ambiente considera "prematuro" emitir uma opinião sobre o teleférico do Rabaçal num momento em que tem a sua equipa de técnicos (e outros), a chamada comissão de avaliação, a elaborar o relatório final sobre o impacto ambiental dessa estrutura.
João Correia apenas acrescenta que encerrou o período de discussão pública e que os pareceres estão todos a ser ponderados, assim como as variáveis técnicas. Não se trata de querer fugir à questão, ressalva o director regional, mas não comentar, fora de tempo e sem todos os dados, o assunto.
Tal como o DIÁRIO já publicou, na edição de 11 de Setembro passado, o estudo de impacto ambiental dá nota de alguns aspectos pouco positivos. "A justificação do projecto apresenta algumas incoerências, devendo os objectivos e definições serem alvo de reavaliação." Mas não só. Há também reservas, até mesmo por parte da comissão de avaliação, sobre a influência da capacidade de carga nos ecossistemas naturais, receando-se que possa haver alguma degradação." Mas resta aguardar pelo relatório final desta comissão.
Rosário Martins
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quarta-feira, 1 de outubro de 2008
terça-feira, 30 de setembro de 2008
TELEFÉRICO DO RABAÇAL (V)
Já não há muita margem de manobra, mas ainda é possível evitar este desastre.
É questão das pessoas protestarem (o que não estão muito habituadas...) e mostrarem com firmeza a sua oposição a este projecto megalómano.
Investimentos programados para lançar até 2011
ALBERTO JOÃO JARDIM
Na Calheta,está adjudicado e em estudo de impacte ambiental, pela Sociedade de Desenvolvimento, um teleférico no Rabaçal
É questão das pessoas protestarem (o que não estão muito habituadas...) e mostrarem com firmeza a sua oposição a este projecto megalómano.
Investimentos programados para lançar até 2011
ALBERTO JOÃO JARDIM
Na Calheta,está adjudicado e em estudo de impacte ambiental, pela Sociedade de Desenvolvimento, um teleférico no Rabaçal
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A.J.J.,
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Alberto João Jardim sublinhou que é a favor de um destino Madeira com qualidade, por isso, a estratégia do Governo tem sido não autorizar "hotéis baratos nem instrumentos de turismo baratos" na Região.
blá-blá-blá....
Quem lesse isto sem conhecer o que se passa na Madeira até pensaria que AJJ é contra a massificação do turismo...
Então porque deixa construir o teleférico do Rabaçal? Qual a diferença entre este e um hotel low-cost? Palpita-me que deve ser só o "empresário" interessado... Um é amigo, o outro não...
blá-blá-blá....
Quem lesse isto sem conhecer o que se passa na Madeira até pensaria que AJJ é contra a massificação do turismo...
Então porque deixa construir o teleférico do Rabaçal? Qual a diferença entre este e um hotel low-cost? Palpita-me que deve ser só o "empresário" interessado... Um é amigo, o outro não...
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
sábado, 27 de setembro de 2008
PAT E JOHN UDERWOOD CONTRA TELEFÉRICO NO RABAÇAL
Os autores do mais conhecido livro sobre as levadas da Madeira opõem-se terminantemente à construção de um teleférico no Rabaçal.

Reproduzo o e-mail que me enviaram:
Dear João Carvalho Fernandes
Many thanks for alerting us to this. Unfortunately, we could not open the main pages (from the government), but did see one blog which SHOWED A PICTURE OF A HORRID CONCRETE BUILDING for a cable car (the blog which said why don't they build a via rapida, so people could get there more quickly). It looked as if it could have been on the Paul da Serra. SO IS IT ALREADY BUILT?
Yes, you could certainly add our names to the list of people against this idea. We like some of the cable cars in Madeira, so are not against well-designed cable cars in well-concealed buildings. What is wrong here is that the destination of the cable car is not a beach with some space or a faja where it helps people unload goods, but a totally INTIMATE, tiny place, which is already overcrowded - just with walkers.
What would happen to the maintenance of the levada paths with all those people? And who will profit - will they open a restaurant at Rabacal?!
I looked to see if Raimundo Quintal had anything to say about it, but cannot find anything. We have NO influence with the government of Madeira, but certainly HE HAS. So of course he will join your protest?
We are away for a month now. If you have any further news, please do send it in November.
Good luck - but it looks like it is already a fait accompli.
Pat and John Underwood

Reproduzo o e-mail que me enviaram:
Dear João Carvalho Fernandes
Many thanks for alerting us to this. Unfortunately, we could not open the main pages (from the government), but did see one blog which SHOWED A PICTURE OF A HORRID CONCRETE BUILDING for a cable car (the blog which said why don't they build a via rapida, so people could get there more quickly). It looked as if it could have been on the Paul da Serra. SO IS IT ALREADY BUILT?
Yes, you could certainly add our names to the list of people against this idea. We like some of the cable cars in Madeira, so are not against well-designed cable cars in well-concealed buildings. What is wrong here is that the destination of the cable car is not a beach with some space or a faja where it helps people unload goods, but a totally INTIMATE, tiny place, which is already overcrowded - just with walkers.
What would happen to the maintenance of the levada paths with all those people? And who will profit - will they open a restaurant at Rabacal?!
I looked to see if Raimundo Quintal had anything to say about it, but cannot find anything. We have NO influence with the government of Madeira, but certainly HE HAS. So of course he will join your protest?
We are away for a month now. If you have any further news, please do send it in November.
Good luck - but it looks like it is already a fait accompli.
Pat and John Underwood
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