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quarta-feira, 6 de maio de 2009

Planos favorecem pressão humana no Rabaçal



Com a devida vénia ao Diário de Notícias da Madeira

Ambientalistas alertam para o risco de degradação do ecossistema


Tanto a Quercus como a Associação dos Amigos do Parque Ecológico consideram que os planos de ordenamento e gestão do Maciço Montanhoso Central e da Laurissilva vão contribuir para o aumento da pressão humana na zona do Rabaçal.

Ambas as associações participaram na discussão pública relativa aos dois planos, a qual termina hoje, com o envio de sugestões, reclamações, observações e pedidos de esclarecimento.

Idalina Perestrelo, da Quercus, sublinha que, além de serem muito idênticos, fica a ideia de que estes planos foram feitos para que se possa avançar com o projecto turístico previsto para a zona do Rabaçal, que será concretizado através da construção de um teleférico que fará a ligação desde o Paul da Serra. "Estes planos são um pouco feitos para uma maior pressão humana dentro dos espaços que são protegidos e esse aumento pode fazer com que depois haja uma ameaça sobre a biodiversidade existente".

Também Raimundo Quintal, em nome da Associação dos Amigos do Parque Ecológico, afirma que o teleférico "não 'constituirá um meio de promoção e valorização destes espaços natural'" como referem os dois documentos. "Pelo contrário, terá um impacto negativo na paisagem, contribuirá para uma degradação do ecossistema e aumentará a delapidação das espécies mais sensíveis".

Referem também os planos que a "existência de um teleférico regula o fluxo de entradas para o próprio teleférico e não para os percursos pedestres existentes". Relativamente a esta questão, Raimundo Quintal sublinha que o estudo de impacte ambiental informa que o teleférico terá capacidade para transportar 180 pessoas por hora desde o Paul da Serra ao Rabaçal. Assim, em apenas três horas, se for cumprida a capacidade máxima prevista, poderão chegar ao Centro de Recepção do Rabaçal 540 visitantes. "Este número ultrapassa a capacidade de carga efectiva do percurso Rabaçal - 25 Fontes, que é de 528 visitantes por dia, segundo cálculo constante na página 128 do 'Plano de Ordenamento e Gestão da Laurissilva da Madeira'", alerta o geógrafo.

O director regional do Ambiente sublinha que é difícil afirmar que haverá uma maior pressão humana, quando, actualmente, não existe qualquer contabilidade em relação ao número de pessoas que visitam o Rabaçal. Nesse sentido, João Correia sublinha que haverá uma entidade gestora responsável pelo controlo das entradas no Parque Florestal do Rabaçal, quer pelo teleférico, quer através das veredas, a qual poderá definir um "determinado limite".

Além da questão do Rabaçal, Raimundo Quintal refere, por exemplo, a retirada do gado bovino como condição necessária para recuperação da biodiversidade na área do Fanal, não sendo a questão do gado bovino mencionada no Plano do Maciço Central Montanhoso.

Por outro lado, Idalina Perestrelo considera que em termos de planos a prioridade devia ser dada ao Plano especial de Ordenamento do Parque Natural da Madeira e ao Plano Sectorial dos Sítios da Rede Natura, os quais deveriam servir de documento orientadores em relação aos restantes.

A falta de estudos e de soluções para os problemas existentes, assim como a inexactidão dos limites da Laurissilva e do Maciço Montanhoso Central são outras falhas apontadas.

Prazos a cumprir

A consulta pública dos planos de ordenamento e gestão da Laurissilva e do Maciço Montanhoso Central termina hoje. Até ao dia 22 de Maio, a comissão de acompanhamento terá que apresentar o relatório final contemplando possíveis sugestões. Até 30 de Maio, a Direcção Regional de Florestas deverá fazer chegar ao secretário do Ambiente o plano final e o respectivo relatório, assim como uma proposta de decreto legislativo regional. Documentos que deverão ser disponibilizados na Internet. Cumpridos todos estes prazos, segue-se a resolução do Conselho de Governo, que vai designar estes Sítios de Interesse Comunitários como Zonas Especiais de Conservação.

Gestão para as Desertas, Selvagens e Ponta de São Lourenço

Os planos de ordenamento e gestão da Laurissilva e do Maciço Montanhoso Central resultam de uma exigência da União Europeia no âmbito da Directiva Habitats para que os Sítios de Importância Comunitária (SIC) possam adquirir o estatuto de Zonas Especiais de Conservação (ZEC).

Na Madeira são 11 os Sítios de Importância Comunitária, cujos planos deveriam estar concluídos em Dezembro de 2007.

Além dos dois planos para a Laurissilva e para o Maciço Montanhoso Central estão a ser preparados os planos de gestão relativos à Ponta de São Lourenço, às Desertas e às Selvagens, cuja discussão pública iniciará em breve, e, estando reservado mais para a frente o dos Ilhéus do Porto Santo.

Segundo o director regional do Ambiente, os restantes cinco sítios não serão alvo de planos de ordenamento e gestão, mas de medidas especiais de conservação. São eles os Moledos, as Achadas da Cruz, o Ilhéu da Viúva, o Pináculo e o Pico Branco.

João Correia salienta, contudo, já se praticam essas medidas de protecção, só que não estão expressas num documento que sirva de base a uma publicação do Governo que diga que aquelas medidas passam os Sítios de Interesse Comunitário a Zonas Especiais de Protecção e é isto que tem que ser feito".

Relativamente a estas zonas, o director regional do Ambiente sublinha que os processos estão já em marcha, pelo que, brevemente, o Governo poderá publicar essa alteração.

Sílvia Ornelas

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

BE diz que é uma “loucura” insistir no teleférico do Rabaçal

Com a devida vénia ao Diário Cidade

O BE voltou ontem a protestar contra a construção do teleférico do Rabaçal. “Lamentamos que o Governo Regional após ter um parecer negativo do Parque Natural da Madeira continue a insistir nesta loucura que vai de, alguma forma, prejudicar em muito o ambiente desta zona”, disse Roberto Almada.

A sua construção, acrescentou o deputado do BE, “apenas servirá para que alguns privados lucrem com o surgimento de restaurantes e outras infraestruturas”. Daí que tenha também lamentado o facto de a Câmara Municipal da Calheta ter mudado de opinião após ter dado, numa primeira fase, um parecer negativo.

Porque é importante “preservar a laurissilva e todos os ecossistemas ali existentes”, ou seja, o “pulmão da Madeira”, entende que o GR ao invés de ‘levar para a frente’ aquela infraestrutura deveria reunir esforços para “recuperar as levadas e alguns percursos pedestres utilizados tanto pelos madeirenses, como pelos turistas que visitam diariamente a Região.

S.G

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

RABAÇAL - Quase 6 milhões de euros para destruir um bem valioso

Artigo de opinião de Hélder Spínola, com a devida vénia ao Diário de Notícias da Madeira:



Rabaçal: de levada ou teleférico?
Não se entende o investimento de quase 6 milhÕes de euros para destruir um bem valioso
Data: 18-12-2008

Ao mesmo tempo que procura promover a Madeira como destino turístico com base nas suas características culturais e naturais mais genuínas, como o bordado, o vinho, a paisagem e os valores naturais, o Governo Regional acaba de viabilizar pelas mãos do próprio Secretário Regional do Ambiente a construção de um teleférico num dos locais mais naturais e autênticos da nossa exígua ilha. Por incrível que pareça, o Sr. Secretário do Ambiente acaba de assinar uma Declaração de Impacte Ambiental Favorável para a construção de um teleférico no Rabaçal ao longo de 1380 metros de uma das mais soberbas paisagens de Laurissilva classificada pela UNESCO como Património Mundial Natural. A Laurissilva da Madeira é Património Mundial Natural, o único com esta classificação em Portugal, pelo seu valor universal excepcional para a ciência, conservação e beleza natural. A Laurissilva da Madeira é a maior e mais bem conservada mancha deste tipo de floresta no mundo, existindo também nos Açores e nas Canárias, mas em pior estado de conservação. Esta é uma floresta relíquia que remonta ao Terciário (período que se iniciou há 65 milhões de anos atrás e terminou há 1,8 milhões de anos) e que ocupou no passado vastas extensões do Sul do continente Europeu e bacia do Mediterrâneo, tendo ficado reduzida às ilhas da Macaronésia devido às glaciações. Com o povoamento destas ilhas ao longo dos últimos cinco séculos a maior parte desta floresta foi destruída para a criação de pastos, campos agrícolas e aglomerados urbanos. Na Madeira, devido ao seu relevo acentuado, tivemos a felicidade de manter até à actualidade uma parte dessa floresta no seu estado original.

É justamente no vale da Ribeira da Janela, em particular na zona do Rabaçal, onde podemos encontrar a Laurissilva no seu melhor, desfrutar de paisagens naturais soberbas e contactar com a natureza na sua forma mais genuína, percorrendo as nossas tradicionais levadas longe do stress e artificialismo dos espaços urbanos. Este é um local classificado no âmbito do Plano de Ordenamento do Território da Região Autónoma da Madeira (POTRAM) como Espaço Natural de Uso Interdito onde apenas se permitem actividades de conservação da natureza e, a título excepcional, a selecção de locais de observação no âmbito de usos de lazer e recreio. O Rabaçal e a sua Laurissilva estão integrados na Rede Natura 2000, são Reserva Biogenética do Conselho da Europa e, no âmbito do Parque Natural da Madeira, estão classificados como zona de repouso e silêncio, para além de serem Reserva Natural Parcial.

Como é possível aceitar que numa paisagem destas, com um património natural autêntico reconhecido internacionalmente ao mais alto nível, se atravessem cabos, se instalem torres e estações para fazer circular um frenesim de cabinas por cima das copas das árvores, atravessando vales e estragando a pureza que atrai tantos visitantes nacionais e estrangeiros nos percursos que as levadas possibilitam? Como é possível que o Sr. Secretário do Ambiente não tenha prestado a mínima atenção ao parecer negativo do Parque Natural da Madeira que rejeita liminarmente a hipótese de um teleférico no Rabaçal e não tenha percebido o parecer da Direcção Regional das Florestas que desmonta ponto por ponto toda a justificação desta obra? Mesmo que não estivéssemos em tempos de crise, não se entende este investimento de quase 6 milhões de euros para destruir um dos bens mais valiosos que a Madeira possui e trocar os percursos pelas levadas por passeios em teleféricos.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

QUERCUS CONTRA TELEFÉRICO DO RABAÇAL

Premissa errada ou mentira descarada?

Em declarações ao DN de 12 de Novembro, um responsável na região pela Etermar, empresa à qual a obra do teleférico do Rabaçal foi prematuramente adjudicada, refere que “a falta de informação tem sido o suporte principal da campanha anti-teleférico” e acusa os que se opõem a este projecto: “partem do princípio errado de que o teleférico aumentará o número de visitantes ao Rabaçal, o que não é verdade”. Acrescenta ainda que “no Rabaçal, tudo está dimensionado para transportar 180 a 200 pessoas/hora, o que permitirá levar à Laurissilva menos visitantes do que lá vão actualmente.”

É caso para se dizer que o responsável da Etermar não leu o Estudo de Impacte Ambiental (EIA)! Até o EIA, apesar das suas falhas e contradições, apesar de ignorar e subavaliar impactes negativos e efabular pretensos impactes positivos numa descarada tentativa de marketing do projecto, até o EIA, dizíamos, assume que o número de visitantes será maior com o teleférico. A título de exemplo e sem pretender ser exaustiva:

“Em fase de exploração, o aumento do número de pessoas na zona levará…” pág. 13 do Resumo Não Técnico do EIA.

“A implantação desta nova estrutura potenciará uma maior afluência de pessoas, designadamente de turistas, …” pág. 23 do Resumo Não Técnico do EIA.

“Este teleférico visa garantir que essa mesma visita seja intensificada…” pág. 129 do EIA


O Resumo Não Técnico pode ser consultado em:

http://dramb.gov-madeira.pt/berilio/berwpag0.desenvctt?pCtt=2000

O EIA pode ser consultado na Direcção Regional de Ambiente. (O facto do prazo de consulta já ter terminado apenas significa que as opiniões dos cidadãos já não serão acolhidas, mas a consulta continua a poder ser feita.)


A premissa do aumento do número de visitantes não é errada e pode ser facilmente demonstrada. Considerem-se os seguintes dados iniciais fornecidos pelo EIA:

• Capacidade máxima de transporte (em cada direcção, sentados) – 180 passageiros/hora

(Esta capacidade poderá ainda ser expandida até 260 passageiros/hora)

• Número médio diário de visitantes, actualmente – 320


Num cálculo por defeito, conceda-se que o teleférico funcione apenas com metade da sua capacidade máxima – 90 passageiros/hora. Em apenas 3 horas e meia de funcionamento, transportaria um nº de visitantes equivalente ao nº médio diário de visitantes verificado actualmente! Mesmo a meio gás, o teleférico transportaria, por dia, o dobro do nº médio actual de visitantes e ultrapassaria folgadamente os valores de pico que ocorrem actualmente (estimados entre 400 a 500 visitantes) às 3ª e 5ª - feiras, devido às excursões turísticas!

Para organizar e escalar os operadores turísticos não é necessário construir um teleférico. Basta um pouco de análise e compreensão dos factos, aliado a simples bom senso!

Quanto a “condicionar os acessos”, convenhamos que “pôr uma espécie de cancela” fica muito mais barato!

Quando os responsáveis por uma empresa a quem foi adjudicada uma obra nem sequer lêem o EIA do respectivo projecto, que garantias podem dar, à administração do ambiente e aos cidadãos, de que cumpririam as medidas de minimização impostas, no caso de uma hipotética mas improvável decisão favorável?

Cristina Gonçalves

TELEFÉRICO DO RABAÇAL - É SÓ VANTAGENS, OU QUEM PAGA TEM SEMPRE RAZÃO!

Um leitor anónimo comentou que não percebia porque é que não se falava do estudo de impacto ambiental à construção do teleférico no Rabaçal. Aproveito então a deixa para o fazer!

Uma coisa que aprendi na vida profissional é que quem paga tem sempre razão. Contrata-se uma empresa de consultadoria para qualquer coisa e a primeira coisa que eles vão fazer é tentar descobrir para que opinião tende o cliente. E depois, arranjam mil e uma razões nesse sentido...

Se toda a gente vê que é verde, mas o cliente diz que é vermelho, a conclusão vai ser decerto que... É vermelho! É triste, mas é a realidade!

Vem esta estória a propósito do Estudo de Impacto Ambiental do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal realizado pela empresa Ecomind - Consultadoria Ambiental, Lda: os aspectos negativos são totalmente minimizados, os positivos fortemente realçados e chega-se ao ponto de defender que o aumento do número de visitantes é positivo, dado que com o teleférico não farão a viagem de ida e volta pela levada! Pois... E o aumento decorrente das pessoas que nunca fariam a levada sem o teleférico?

E O TELEFÉRICO DO RABAÇAL?

in: Furabardos - Jornal Online Madeirense

“Por isso, não devem ser autorizadas, em princípio, mais quaisquer obras públicas ou privadas na área da nossa floresta natural que a afectem de qualquer modo...
E o aproveitamento dos recursos que possam estar nela concentrados ou deve ser impedido ou controlado rigorosamente. Assim, as estradas e os caminhos rodoviários, os aproveitamentos hidráulicos e hidroeléctricos, as extracções de pedras e areias, os abrigos de montanha, estalagens e outras instalações de carácter urbano, mesmo que turístico, até a utilização de madeiras, lenhas ou outros produtos essenciais da floresta – tudo tem de ser, como regra, proibido, e só, como excepção, permitido, como nos casos em que os ganhos evidentes auferidos pela ilha com os investimentos ou actos realizados sejam manifestamente superiores ao somatório das vantagens e dos benefícios múltiplos da Laurissilva.”

Eng.º Rui Vieira in “Ameaças à Laurissilva no séc. XXI”,“Islenha”, nº 42

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

TELEFÉRICO DO RABAÇAL (XIII)

Com a devida vénia ao Diário de Notícias da Madeira

Teleférico "viola POTRAM"

O projecto promove "um mau turismo", segundo a 'Quercus', e deve ser rejeitado
Data: 05-11-2008

A construção do teleférico no Rabaçal continua a dividir as opiniões. Desta vez, é a associação ambientalista 'Quercus' que vem a público dizer que o projecto "viola" o que está "estipulado no Plano de Ordenamento do Território (POTRAM)" porque classifica a zona em questão de "uso interdito".

Mas a 'Quercus' vai mais longe e avisa: a ir para a frente, poderá ser motivo de mais uma acção popular e não há interesse público que o justifique. "O projecto está desconforme com o POTRAM. A ser aprovado, será presa fácil de uma acção popular. Quem o aprovar deverá estar consciente de que terá que defender essa decisão na justiça, tarefa que se avizinha difícil, dados os reiterados pareceres negativos de que foi alvo por parte do Parque Natural da Madeira e da Direcção Regional de Florestas.".

Santos Costa desmente

Mas quem tutela a aplicação do Plano tem outra opinião. O secretário regional do Equipamento Social assegura que a implantação do projecto é viável no Rabaçal. Santos Costa clarifica que "não há violação dos instrumentos em vigor de ordenamento do território da Região, nomeadamente o POTRAM.".

Os ambientalistas insistem. Em carta feita chegar ao DIÁRIO pela Associação que na Região é dirigida por Idalina Perestrelo, a implantação do projecto numa zona de grande sensibilidade ambiental impõe reservas. "Na planta de ordenamento do POTRA M, a área de implantação do projecto está incluída na classe de Espaços Naturais e de Protecção Ambiental como Zona Natural de Uso Interdito - Reserva Biogenética. Das zonas definidas nesta classe de espaços, esta é a mais restritiva em termos de uso do território-uso interdito." A comprovar, os ambientalistas citam o artigo 33 do Plano, nomeadamente o ponto um, onde se diz: "São zonas naturais de uso interdito as áreas com muito elevado valor ecológico e muito grande vulnerabilidade à pressão humana ou muito reduzida capacidade de regeneração, onde apenas se permitem actividades de conservação de natureza científica e, ainda, a título excepcional, em áreas previamente seleccionadas, locais de observação no âmbito de usos de lazer e recreio." O que está projectado para o local, em termos de número de passageiros a transportar por hora e estruturas de apoio (restauração) não se enquadram nas condicionantes impostas quer pelo Plano quer pelas restrições dos Sítios da Rede natura 2000 Laurissilva da Madeira e Maciço Montanhoso Central, além de que integra o Parque Natural da Madeira.

Turismo de esplanada

Outra preocupação expressa pela 'Quercus' prende-se com o turismo. Segundo a delegação regional, "a ser construído, o projecto irá catapultar para o interior da Laurissilva um número acrescido de turistas. Além dos habituais apreciadores de caminhadas, em busca de velhos e novos percursos, o universo de visitantes potenciais incluiria os comodistas e os turistas de esplanada." Em questão, está o facto de o turismo de qualidade, que procura o Rabaçal, preferir espaços pouco frequentados, em total comunhão com a natureza. Idalina Perestrelo salienta que "os turistas que procuram uma natureza selvagem e que têm aversão a áreas demasiado exploradas comercialmente teriam tendência a fugir depressa da zona.".

Estudante também discorda

A secretária regional que tutela o Turismo e os Transportes na Região tem uma visão completamente distinta. Conceição Estudante considera que, uma vez acauteladas as regras de acesso e de exploração dos vários percursos naturais da zona, nada há a obstar em relação ao teleférico, que poderá funcionar como "uma mais-valia para o próprio turismo." Mas a 'Quercus' insiste e reitera o princípio "turismo sustentável sim, eco-embuste, não." A carta remetida ao DIÁRIO traduz o alerta: "Não é o facto de um projecto se inserir num espaço natural ou zona protegida e ser 'pintado de verde' com argumentos falaciosos que o torna sustentável. Usar os recursos naturais que são de todos, degradando-os irresponsavelmente em benefício de poucos, não é sustentabilidade. Cuidado com os eco-embustes, porque o teleférico do Rabaçal cai nessa categoria." A Associação concorda com o aumento da oferta de circuitos e zonas de lazer e recreio ao longo da Região, mas também deixa claro que os mesmos deverão estar "fora de áreas ambientalmente sensíveis.".

Debate: Ambientalistas e governo em fileiras opostas

Idalina Perestrelo, dirigente da QUERCUS"

O projecto, visando a exploração turística de uma infra-estrutura de transporte de passageiros com uma capacidade potencial de 180 passageiros/hora, (...) oferecendo serviços complementares de restauração (...) não se enquadra no uso excepcional de lazer e recreio admitido, correspondendo antes a um uso permanente que se sobrepõe ao uso principal de conservação da natureza (...).".

Santos Costa, secretário do Equipamento social

"O teleférico não viola o POTRAM e é viável a sua implantação no espaço natural de uso condicionado. Não percebo quando se diz que terá impactos negativos no património natural quando o que se pretende é justamente o contrário, isto é, disciplinar e regular o acesso do público, como noutras espaços naturais do mundo, também com teleféricos, mas de acesso condicionado.".

Conceição Estudante, secretária do turismo

"Os teleféricos na Região foram considerados uma mais-valia pelo POT-Plano de Ordenamento Turístico. No caso do Rabaçal, impõe-se não confundir o meio de transporte com a utilização que possa ser dada. Neste caso, poderá ser uma mais-valia para o turismo, desde que se acautele a forma de utilização e não perturbe toda a envolvência do ponto de vista de impacto ambiental."

João Correia, director de ambiente"

A data limite para que a comissão de avaliação de impacto ambiental entregue o relatório final é no próximo dia 11. O documento será entregue ao secretário regional do Ambiente e Recursos Naturais que fará depois uma declaração de impacto ambiental do projecto. Antes disso, não há mais declarações a fazer sobre o assunto."

Paulo Sousa, Presidente da SDPO

"A comissão de avaliação está a analisar o assunto. As pessoas têm o direito de se pronunciarem a favor ou contra o projecto. Pessoalmente, continuo a achar que se trata de uma boa aposta para o desenvolvimento da Região e não vai desvirtuar a Laurissilva. Ma sé uma opinião pessoal, aguardemos pelo relatório final dos técnicos.".

Rosário Martins

TELEFÉRICO DO RABAÇAL (XII)

Com a devida vénia ao Diário de Notícias da Madeira

BE pede debates e paragem do teleférico do Rabaçal
O partido está preocupado com os impactos ambientais da infra-estrutura
Data: 05-11-2008

"Por ser uma zona onde a natureza é o elemento dominador, pretende-se que as infra-estruturas tenham pouco impacto visual na paisagem, procurando na generalidade a sua camuflagem." O BE foi ao sítio na Internet da Sociedade de Desenvolvimento da Ponta Oeste buscar aqueles que têm sido os argumentos oficiais para justificar a inofensividade do teleférico do Rabaçal. Só que o BE não se deixa convencer.

O partido está preocupado com os impactos ambientais da infra-estrutura, alguns dos quais referidos no estudo de impacto ambiental.

Por isso, Roberto Almada propõe que a Assembleia Legislativa organize uma série de debates e que a Ponta Oeste pare todo o processo de construção, enquanto não existir "um consenso generalizado".


Élvio Passos

terça-feira, 4 de novembro de 2008

TELEFÉRICO DO RABAÇAL (XI)

Finalmente a sociedade civil madeirense começou a reagir ao atentado ao ambiente que o governo da Madeira quer perpetrar no Rabaçal.

Com a devida vénia ao Diário de Notícias da Madeira

Petição 'online' contra teleférico



"Isto é o começo, pois vamos mobilizar os cidadãos para o terreno"

Em inglês, em português, da Hungria, da Polónia, madeirenses, açorianos e estrangeiros. São às centenas os subscritores da petição 'online' contra a construção do teleférico do Rabaçal. Em comum têm a opinião de que não faz falta, não interessa e só vai prejudicar a Natureza, a Laurissilva e afastar os turistas da Madeira.

Lançada no sábado à tarde por Paulo Caetano, a campanha conta com o apoio de Raimundo Quintal, de Idalina Perestrelo e Hélder Spínola da Quercus e de mais 550 pessoas (o número às seis da tarde de ontem). As associações de defesa da Natureza estão a actuar em rede e o apelo contra a possível obra em plena Laurissilva tem já os apoios de ambientalistas dos Açores. Raimundo Quintal garante que virão também de Canárias. "Esta é uma petição séria, vamos agir em rede, enviar para a União Europeia e para a UNESCO, mas a luta não vai ficar por aqui. Isto é o começo, vamos mobilizar os cidadãos para acções no terreno". Dispostos a travar aquilo que consideram um atentado contra a Laurissilva ("que não é propriedade privada"), não vão baixar os braços.

Entre os que assinaram a petição está também Idalina Perestrelo, da Quercus. A associação já tinha feito uma corrente de emails para enviar à UNESCO e agora juntou-se à petição de Paulo Caetano. O texto desta corrente é claro, está contra as "velhas desculpas de sempre, em nome de um duvidoso desenvolvimento económico e social; da suposta satisfação e atracção de uma classe turística, que se destrua um raro ecossistema". De momento, a petição está a passar de mail em mail e o número de subscritores da http://www.petitiononline.com/247132/petition.html não pára de crescer.

Projecto polémico

Ainda em fase de projecto e de avaliação de impacto ambiental, a obra será da responsabilidade da Sociedade Ponta Oeste e tem por objectivo ligar o Paul da Serra, a Levada das 25 Fontes e as casas do Rabaçal. A ideia é transportar com rapidez e sem esforço carga e passageiros entre estes três pontos turísticos. A implantar numa zona de Laurissilva, a dúvida é se os ecossistemas vão aguentar esta infra-estrutura.

Marta Caires



segunda-feira, 3 de novembro de 2008

TELEFÉRICO DO RABAÇAL (X)



















Teleférico do Rabaçal – Arquipélago da Madeira

É do conhecimento público que existe uma forte possibilidade de vir a ser construído um teleférico no Rabaçal, onde se encontra uma importantíssima área de Laurissilva - que em 1992 foi incorporada na rede de Reservas Biogenéticas do Conselho da Europa e constitui Zona de Protecção Especial - ZPE, no âmbito da Directiva Aves.
A Laurissilva da Madeira ascendeu à qualidade de Património Mundial Natural da UNESCO em Dezembro de 1999.
Que não se usem as mesmas e velhas desculpas de sempre e que em nome de um duvidoso desenvolvimento económico e social; da suposta satisfação e atracção de uma classe turística, que afinal diz em alto e bom som “STOP BUILDING! WE DON'T WANT A CABLE-CAR HERE!” se destrua aquilo que devendo e sendo preservado poderá ser a sustentabilidade de todo um valiosissimo e raro ecossistema.
Como podemos tentar impedir que avançe este ultrajante atentado contra o que de mais bonito tem esta terra? Como podemos impedir uma obra que não irá trazer nenhuma mais valia para este local, e pelo contrário, trazendo consequências gravíssimas para a fauna e flora locais, degradando e alterando todo aquele aspecto visualmente belíssimo e apelativo.
Dando a conhecer às entidades competentes os atentados que se preparam contra uma natureza cada vez mais fragilizada e pelos vistos com cada vez menos defensores.

VAMOS AJUDAR A MÃE NATUREZA!! Faz a Diferença, ASSINE esta petição, para que procedamos ao seu envio para a UNESCO e todas as outras entidades mundialmente responsáveis. Para mais informações e novidades consulte o nosso website: madeirastop.com


Assine a petição pública contra a construção deste tentado ao ambiente!

Construction Rabaçal Cable Car

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

TELEFÉRICO DO RABAÇAL (IX)

Mais algumas opiniões:

No Olho de Fogo:

Rabaçal em risco XI [Rabaçal at risk in Madeira Island] argumentos oficiais

Actualmente já vão 60 mil pessoas por ano ao Rabaçal, numa média a caminho das 200 pessoas por dia. Isto é um prejuízo? Ausência de rentabilidade? Diz-se que a natureza não deve ter apenas um valor contemplativo, mas o teleférico até o valor contemplativo da natureza põe em causa, sem acrescentar outros valores de forma inequívoca ou susbtantiva.

Continue a ler aqui


No Os tormentos do linho:

Referendo à construção do teleférico no Rabaçal

E que tal chamar os madeirenses às urnas num referendo sobre a construção de um teleférico no Rabaçal?


Carta de leitora no Diário:

Diana Rodrigues
Teleférico

Data: 12-10-2008

Concordo totalmente com a carta do Sr. Manuel N., e concordo ainda mais (!) com a carta da Sra. D. Teresa Pereira, que se pronunciaram absolutamente contra a construção de um teleférico no Rabaçal.

Só de pensar em construir ali o que quer que seja é uma aberração total. Se estão com tanta queda para a construção civil - porque não aproveitam e recuperam as casinhas de Santana?

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Carta de leitor no Diário:

Nuno Costa
Teleférico

Data: 14-10-2008

Temos assistido neste últimos 30 anos de autonomia ao progresso da nossa ilha e à melhoria do nível de vida dos madeirenses. E apesar de haver aspectos negativos foram importantes as obras que se fizeram, penso que é justo reconhecer isso.

Há apenas pouco mais de uma década é que se começou a pensar no custo do desenvolvimento para o ambiente e para o nosso património natural. Penso que hoje em dia está assente, pela maioria dos madeirenses, a tremenda importância que a natureza e a paisagem representam para nós e para a nossa principal indústria que é o turismo.

Este é na minha opinião o nosso principal recurso e temos de o preservar a todo o custo, sendo por isso uma péssima ideia colocar um teleférico na zona do Rabaçal que é uma área de floresta protegida.

Parem antes que seja tarde de mais! Ouçam os turistas: "STOP BUILDING". Eles sabem do que estão a falar. Não estraguem o ténue equilíbrio entre o desenvolvimento que atingimos e o nosso património natural. Alguém que coloque a mão na consciência e veja que esta não é uma boa ideia e só vai desvalorizar a nossa preciosa floresta e a paisagem natural.


Carta de leitor no Diário:

Rui Taborda
Rabaçal

Data: 15-10-2008

Li o Artigo que saiu sobre o Teleférico que querem construir no Rabaçal, e na minha opinião esta é mais uma daquelas obras (caso seja autorizado) que só servirá os interesses de alguns.

Acho que será lastimoso a construção de um teleférico numa zona tão magnífica como é a zona do Rabaçal, ao contrário do que diz o "espertalhão" do Domingos Abreu, o tal que é bastonário da Ordem dos Biólogos.

Continue a ler aqui

domingo, 12 de outubro de 2008

TELEFÉRICO DO RABAÇAL (VIII)

Muito interessante o que se está a passar relativamente a este assunto...

Depois de a dita sociedade civil na Madeira ter começado a mostrar a sua oposição a este projecto megalómano, temos vindo a assistir nos últimos dias à profusão de declarações de elementos mais ou menos comprometidos com o regime jardinista favoáveis à construção do teleférico.

E muito significativo a este respeito foi o que se passou com o Diário de Notícias da Madeira: depois de me ter contactado pedindo o e-mail de Pat e John Underwood nada foi publicado com as posições deles, mas vários artigos favoráveis ao projecto têm visto a luz do dia nas suas páginas...

Se mais provas fossem necessárias quanto ao cada vez maior comprometimento deste jornal com AJJ, elas estariam neste caso! E para tapar o sol com a peneira, vão publicando uma ou outra carta de leitores, com o destaque que sabemos, enquanto as declarações dos figurões aoparecem nas melhores páginas...

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

TELEFÉRICO DO RABAÇAL (VII)

Duas cartas de leitores no Diário de Notícias da Madeira publicadas em dias seguidos:

Manuel N
Teleférico no Rabaçal
Data: 08-10-2008

Toda a área de ocorrência de Laurissilva integra o Parque Natural da Madeira, conferindo-lhe assim um forte estatuto de protecção. Em 1992 foi incorporada na rede de Reservas Biogenéticas do Conselho da Europa e constitui Zona de Protecção Especial-ZPE, no âmbito da Directiva Aves.

A Laurissilva da Madeira ascendeu à qualidade de Património Mundial Natural da UNESCO em Dezembro de 1999. (http://www.ippar.pt/patrimonio/mundial/madeira.html) A pretensão de construir um teleférico no Rabaçal é uma aberração com contornos criminosos. Este local, a par de uns poucos outros, é um santuário da nossa Natureza. Como tal deveria estar, legalmente, ao abrigo de pretensões como esta, mascaradas de investimento.

O nosso receio ainda é maior por vir duma daquelas entidades ditas de desenvolvimento. Porque, evoca-nos a falta de respeito com que os seus dirigentes têm tratado as suas obras e aquisições. Falta de respeito que dá indícios que se servem dos seus lugares ao invés de servirem. Senão vejamos: - Como é possível investir em instalações e equipamentos para ficarem parados a se degradarem? Como a marina de ondas espectaculares e pedregulhos a céu aberto que escaparam, ambos, aos estudos prévios que deveriam existir ou melhor, pois poupava-se imenso dinheiro, bastava conversar um pouco com as pessoas mais velhas da zona. Assim, também ter-se-iam evitado os portos verdadeiros caça ondas da nossa costa. E outros equipamentos a figurarem na inauguração e depois a ficarem sem utilidade ou utilização. Como o guincho para barcos nos Reis Magos e o teleférico do Garajau a caminhar para tal.

- Quantos metros quadrados de construção sem qualquer utilidade ou utilização, salas, fóruns, centros disto e daquilo. Como o dito 'museu da baleia', que enquanto procuram sem sucesso conteúdos para preencher o seu espaço exagerado, deixam apodrecer a algumas dezenas de metros o que foi a última baleeira da região, quase ao lado da progressiva degradação do carreireiro, reconstruído, símbolo das ligações no nosso arquipélago. Como construções para bares, barzinhos ou barões, de todas as formas e feitios, por vezes aberrantes como os bankers de S. Vicente, como se estes negócios não fossem praticamente os únicos que a generalidade do madeirense sabe ou pensa que sabe gerir. - Quantas plantas, em especial palmeiras, por quem, sabe-se lá porquê, têm especial predilecção, ou talvez até se desconfie, são postas à terra e abandonadas após a inauguração, algumas vezes de variedades inconciliáveis com as condições climáticas do local, como no Seixal, por exemplo. - Quantos equipamentos desnecessários como a espantosa densidade de candeeiros por m2 nas áreas ajardinadas, isto é abandonadas e cheias de erva, junto a edifício construído no porto de Santa Cruz, o de restaurante que abre e fecha, agora com possível discoteca. Claro para o desenvolvimento da região! Mas para quê um teleférico no Rabaçal? Para a valorização de "uma área de beleza única" e para a criação de um acesso cómodo e rápido para os visitantes que ali se dirigem? 5 milhões de euros? Ainda não viram, ou estes indivíduos vêm mas isso não lhes serve, que o verdadeiro monumento que a Madeira tem é a sua Natureza e a melhor obra que podem deixar para o futuro, gravando o seu nome na história do nosso Arquipélago, é contribuírem para a sua preservação. A classificação 'desfavorável-má' resultante do Relatório Nacional de Implantação da Directiva Habitats na União Europeia (2001-2006) espelha o que se está a fazer. A classificação como património mundial foi encarada, meramente, uma vitória política e usada como instrumento de estratégia de marketing. Não se investiu na sua limpeza para prevenir incêndios e infestantes. Não se impediu como se devia a intervenção humana. Foi rasgada pelo betão! Infelizmente estes indivíduos, que por razões várias ocupam lugares, temporários, de decisão, não gostam de plantar. Preferem antes colher.

Se em lugar de um destes fóruns por aí inutilmente plantados, por exemplo o de Machico, ou o elefante branco (ou baleia cinzenta) do Caniçal, poder-se-ia cultivar um jardim ou parque pensado para as gerações vindouras. Valorizando a zona, em ambos os casos incomparáveis baías de águas calmas e, em especial no segundo, límpidas! Comparemos os seus custos e os seus benefícios. Perdas só para os que estavam à espera das respectivas comissões, mas todos ficávamos mais ricos, menos endividados e com um bem que a Natureza encarregaria de desenvolver. No futuro, lição e objecto de deslumbramento e bem-estar.

A justificação de que foi mão-de-obra ocupada é banal e falsa. Despender meios para fins de pouca utilidade, ocupando e danificando espaços em zonas sensíveis, não será política regional correcta. Muitas vezes obras executadas por pessoas que não sendo da região naturalmente levarão os frutos do seu trabalho para as suas terras. Invista-se em educação, formação, investigação, energias alternativas e outras áreas determinantes. Um bom viveiro de plantas autóctones para servir as nossas serras e áreas públicas e privadas teria um retorno interessante para a região. Mas isso são outros compadrios e sociedades.

Tiremos a lição do que agora vem ao de cima, na crise económica e social que marcará o nosso tempo. Um falso desenvolvimento para sustentar os vícios e a opulência dos decisores do que deveriam ser instrumentos financeiros essenciais ao desenvolvimento económico das sociedades. Esperemos é que os 'furacões' anunciados não passem sempre ao largo destas situações. Se esta ideia, do malfadado teleférico, for para a frente, não nos admiremos de nos deparar nas anunciadas 'estações', com bares, salas de conferência, venda de souvenirs, mais espaços fechados à procura de conteúdos … e rodeados de palmeiras. No Rabaçal! Que apenas durariam, palmeiras e ocupação dos espaços, o tempo suficiente da inauguração! A permissão de execução de tal construção no seio do nosso Património Natural, pertença das actuais gerações mas sobretudo das futuras, é de facto uma decisão de grande importância pelo que se impõe uma tomada de posição pública do novo director do Parque Natural.



Teresa Pereira
Teleférico do Rabaçal
Data: 09-10-2008

Concordo na íntegra com o Senhor Manuel N., só discordo num ponto: o Senhor foi demasiado brando. Precisamos de dizer a estes governantes de secretária, que não precisam de "roubar" mais aos contribuintes construindo coisas novas, como se estivessem no centro do mundo a ter ideias novas. 'STOP BUILDING', como pediram os turistas, esses sim, que AINDA visitam a nossa terra, e têm uma palavra importante que devia ser ouvida. Gastam milhões na promoção turística, para quê? Para meter mais cimento? Quem é que desta vez vai meter ao bolso a percentagem da construção do teleférico do rabaçal? PAREM, POR FAVOR… Construir para terem votos já não pega. Que tal pensarem em RECUPERAR o nosso património que ainda resta, porque em 30 anos de autonomia nem tudo foi mau.

LEVADAS DO RABAÇAL - 2004 (X)

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

TELEFÉRICO DO RABAÇAL (VI)

A transcrição da primeira notícia com depoimentos de utilizadores das levadas, publicada em orgãos de comunicação social madeirenses sobre este assunto:

O GARAJAU
(enviado por Emanuel Bento)


PROTESTO CONTRA TELEFÉRICO NO RABAÇAL JÁ CHEGOU AO ESTRANGEIRO

Os autores do mais conhecido livro sobre as Levadas da Madeira estão decididamente contra a ideia da Vice-Presidência do Governo Regional em construir um teleférico no Rabaçal e subscrevem os protestos de quem também julga esta ideia um disparate, além de ser um atentado ambiental que vai certamente pôr em risco aquele que é um dos locais mais visitados e preservados da Madeira.

John and Pat Underwood são os autores do “Madeira Car Tours And Walks”, obra que já vai na 9ª edição e que está editada em diversas línguas (desde o inglês ao alemão). Este livro foi inclusivamente premiado como o “Best Travel Guide), um prestigiado prémio atribuído pela Thomas Cook.

Este casal, que já visita a Região desde 1973, onde vieram em lua de mel, muito tem contribuído para divulgar internacionalmente a Madeira e as suas belezas naturais pois a sua obra é sem dúvida um dos livros mais vendidos no Mundo que fala da Madeira.

Este casal de ingleses foi alertado para a situação através da blogosfera. O blog www.acagarra.blogspot.com da autoria de João Carvalho Fernandes (ligado ao PND nacional) tem feito vários posts a alertar para a estupidez que é esta ideia do teleférico no Rabaçal. Outro blog onde o assunto também tem tido destaque (pela negativa) é o www.olhodefogo.blogspot.com de Nélio Sousa, professor e ambientalista, natural da Calheta.

No e-mail que enviaram a João Carvalho Fernandes, John and Pat Underwood questionam o que vai acontecer ao Rabaçal se a ideia for avante e questionam ainda se Raimundo Quintal já se pronunciou sobre o assunto, perguntando até se o Geógrafo e ex-vereador da CMF não tem influência sobre esta decisão do Governo Regional.

Esta anunciada intenção de construção de um teleférico no Rabaçal não parece ter incomodado a comunicação social da Madeira que, apesar de ter publicado algumas notícias, faz de conta que o assunto não é grave e assiste passivamente a mais um planeado atentado ambiental, isto apesar de haver unanimidade nos pareceres negativos de várias entidades (Câmara Municipal da Calheta, Direcção Regional de Ambiente, Direcção Regional de Florestas e Quercus).

Refira-se que são cinco milhões e 273 euros que a Vice-Presidência pretende gastar num teleférico no Rabaçal através da Sociedade de Desenvolvimento da Ponta Oeste, sendo ainda de destacar a absurda e ridícula justificação que a Ponta Oeste dá para esta estapafúrdia ideia: «Necessidade turística» e «dar a conhecer a Floresta Laurissilva e as veredas das Levadas das 25 Fontes e do Risco», como se os turistas estivessem mesmo à espera de ter um teleférico no Rabaçal com capacidade para transportar 240 pessoas por hora…

Emanuel Bento

LEVADAS DO RABAÇAL - 2004 (IX)

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Turistas 'chumbam' teleférico no Rabaçal

E finalmente começa a haver reacções, neste caso dos principais interessados...

Com a devia vénia ao Diário de Notícias da Madeira



Logo pelo início da manhã, os carros de turismo chegam em grande número ao Rabaçal para o passeio mágico de descoberta da natureza. As viaturas ficam estacionadas junto à estrada principal do Paul da Serra e os turistas fazem-se à estrada para partilharem da beleza daquela serra e dos seus trilhos. Outros aguardam pela carrinha da Câmara Municipal da Calheta que, por cinco euros, leva e traz o visitante que se quer deslumbrar com o ar puro e as vistas de zonas como o Risco, 25 Fontes, Fonte Vermelha, Lagoa do Vento e Lagoa do Alecrim.

Esta movimentação poderá ser alterada futuramente, uma vez que a Sociedade de Desenvolvimento da Ponta Oeste já anunciou que pretende construir um teleférico no Rabaçal, orçado em mais de cinco milhões de euros. Mas, de forma cautelosa e a medir todos os ângulos da questão, a Vice-Presidência do GR não quer avançar sem o relatório final da comissão de avaliação do estudo de impacto ambiental, ainda em fase de elaboração.

Com ou sem relatório, os muitos turistas que ontem se encontravam no Rabaçal foram unânimes em discordar dessa empreitada. Ingleses, alemães e até espanhóis fizeram 'cara feia' ao projecto com a argumentação de que "vai estragar uma zona de rara beleza."

Mais contundente foi a posição assumida ao DIÁRIO pela inglesa Anne Hopwood: "Não é uma boa ideia. Vocês já construíram tanto na Madeira e é a altura de pararem com tanta construção. Será que não percebem que não vão deixar nada para os visitantes verem? " Ao lado, um casal alemão também reprovava o teleférico, com a justificação de que se "poderá estar a arruinar uma bela ilha." A costa Norte, de Santana a São Vicente, ainda merece nota positiva, mas o Funchal e a zona Oeste são castigados com as críticas pelo "excesso de construção numa área tão pequena."

Enquanto se ouvia o repetitivo "stop building" (parem de construir), a carrinha da Câmara Municipal da Calheta chegava para levar os turistas até ao largo, junto à casa florestal, que serve de ponto de partida para os diversos percursos pedonais, nomeadamente Lagoa do Vento, 25 Fontes e outros paraísos, ao mesmo tempo que alguns grupos preferiam fazer o percurso a pé. O funcionário camarário Nazário tem uma "opinião própria" mas deixou logo claro que a guardaria para si próprio.

Descaracterizar a paisagem

Outro casal alemão, a trocar os sapatos pelas sapatilhas para começar a caminhada lembrou, que "as autoridades deveriam dar atenção aos pareceres dos ambientalistas, nomeadamente em relação ao impacto dessa obra nesta magnífica paisagem." Não tinha dados para formular opinião. Apenas um comentário: "Gostamos é da natureza."

Também um casal de espanhóis discorda da ideia. Natural de Barcelona, a Madeira foi o destino escolhido para as férias. O passeio ao Rabaçal é a 'cereja no bolo'. Quando se fala na possibilidade de haver ali um teleférico, os espanhóis entreolham-se e comentam: "Não devem construir porque vai descaracterizar a paisagem. Além disso, os teleféricos costumam ser muito caros para quem quer neles andar. Há que reflectir melhor."

Outro casal, oriundo da Suíça, foi também peremptório: "Não sou fã de teleféricos. É melhor deixar como está."

Já os condutores das carrinhas de turismo têm uma opinião completamente favorável ao teleférico. Adelino Gonçalves e Alexandre Silva justificam com experiências que existem noutras zonas da Madeira e que contam até com boa adesão dos turistas. Também não concordam com o argumento de que "estraga a natureza". Mais "estragos faz a carrinha que desce Rabaçal abaixo a deitar fumarada." Para estes profissionais, as reservas de alguns turistas ao teleférico nada têm a ver com os danos na paisagem mas com o bolso. "O turismo que nos visita perdeu poder de compra e isso é cada vez mais visível, porque não quer gastar quase nada. Não é uns cabos que acabam com a natureza."

Segundo o DIÁRIO apurou ontem junto da dona da obra, é aguardado o relatório final da comissão de avaliação do estudo de impacto ambiental para revelar a posição definitiva sobre este projecto: de avanço ou de recuo. Para já, terminou o período de discussão pública em torno do estudo de impacto ambiental , foram recolhidos pareceres de várias entidades e aguarda-se pela decisão final.

Tal como já foi anunciado, o teleférico projectado tem capacidade de carga para 240 pessoas por hora, o que por si só assegura uma movimentação ainda maior do que aquela que se verifica presentemente no Rabaçal.

Na revista oficial da Vice-Presidência do GR, fica-se a saber da intenção por parte d da Ponta Oeste, do lançamento do concurso de concepção/construção do teleférico. "Pretende-se fazer uma ligação rápida e segura desde a cota alta do Paul da Serra, que se situa a mais de 1.200 metros de altitude (Estação A), a uma cota intermédia, onde está localizada a Casa do Rabaçal, sensivelmente a mil metros (Estação B) e, ainda, a ligação a uma cota ainda mais baixa (Estação C). Assim sendo, o projecto será composto por três estações, situadas em terrenos que apresentam um declive muito acentuado. Contudo, e por ser uma zona onde a Natureza é o elemento dominador, pretende-se que as infra-estruturas tenham pouco impacto visual na paisagem, procurando na generalidade a sua camuflagem."

Apesar de tudo, é um projecto que ainda não convenceu totalmente turistas e técnicos.

Câmara vota favoravelmente

O paradisíaco Rabaçal insere-se no domínio territorial do município da Calheta. O presidente da respectiva Câmara Municipal afirmou ao DIÁRIO que "os serviços técnicos da autarquia emitiram um parecer favorável ao projecto."

Curiosamente, há ambientalistas que dizem ter acompanhado a discussão pública do estudo de impacto ambiental e terão verificado a posição desfavorável da autarquia ao investimento. Porém, Manuel Baeta clarifica que o executivo camarário aprova.

Interrogado sobre as razões que levaram a Câmara a dar parecer favorável, o autarca explica-se nestes termos: "A nossa perspectiva é meramente empresarial. Aprovámos um investimento que permitirá assegurar também o desenvolvimento do concelho e criar mais postos de trabalho."

Quanto às possíveis consequências na paisagem, Manuel Baeta reserva essas opiniões aos peritos. "O nosso parecer não tem nada a ver com a questão ambiental, visto que há entidades competentes que estão a estudar tecnicamente o assunto e que se deverão pronunciar na devida altura", sublinha o edil.

'Quercus' em total desacordo

A associação ambientalista 'Quercus' é totalmente contra um teleférico no Rabaçal. "Estamos a falar de uma obra que não traz nenhuma mais-valia para o local, acabando inclusivamente por matar a paisagem e o tão procurado passeio a pé", afirma o presidente nacional Helder Spínola.

Por outro lado, o ambientalista prevê consequências negativas na preservação do habitat da laurissilva, com regras internacionais apertadas de preservação e controlo.

A ser viabilizado o projecto, há também uma fase de desmatação para a instalação das bases da nova estrutura que preocupa o ambientalista. Por outro lado, a lotação prevista, o transporte de 240 pessoas por hora, terá também outros reflexos preocupantes já que a zona não estará preparada para receber tantas pessoas. "Estamos a falar de um projecto que não faz nenhum sentido naquela zona", afirma Helder Spínola. O ambientalista diz mesmo que há entidades públicas que já se pronunciaram contra, na fase de discussão pública, como o parque Natural da Madeira e a própria Câmara da Calheta. Independentemente disso, acha que é um projecto para esquecer.

Ambiente prepara relatório final

O director regional de Ambiente considera "prematuro" emitir uma opinião sobre o teleférico do Rabaçal num momento em que tem a sua equipa de técnicos (e outros), a chamada comissão de avaliação, a elaborar o relatório final sobre o impacto ambiental dessa estrutura.

João Correia apenas acrescenta que encerrou o período de discussão pública e que os pareceres estão todos a ser ponderados, assim como as variáveis técnicas. Não se trata de querer fugir à questão, ressalva o director regional, mas não comentar, fora de tempo e sem todos os dados, o assunto.

Tal como o DIÁRIO já publicou, na edição de 11 de Setembro passado, o estudo de impacto ambiental dá nota de alguns aspectos pouco positivos. "A justificação do projecto apresenta algumas incoerências, devendo os objectivos e definições serem alvo de reavaliação." Mas não só. Há também reservas, até mesmo por parte da comissão de avaliação, sobre a influência da capacidade de carga nos ecossistemas naturais, receando-se que possa haver alguma degradação." Mas resta aguardar pelo relatório final desta comissão.

Rosário Martins
 
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